Se já se pode aqui reclamar da falta de originalidade, muitas outras queixas virão do uso que se fez dos clichês – que, como se sabe, muda tudo. Bons diretores e roteiristas são capazes de tirar leite de pedra dos mesmos elementos já muito usados num gênero. Não é o caso nem do diretor John Polson, nem do já citado roteirista.
Para piorar, Polson teve na mão um elenco de primeira para fazer coisa melhor. Além de De Niro e da talentosa Dakota (que brilhou em filmes como Uma Lição de Amor), ele desperdiçou o talento de Elisabeth Shue (que foi indicada ao Oscar em Despedida em Las Vegas), Famke Janssen (a Jean Grey de X-Men) e Dylan Baker (de Felicidade e outros filmes de Todd Solondz).
Com uma turma de atores assim tarimbada, fica claro que o filme não funciona por culpa mesmo de uma história ruim. A primeira metade até que dá algumas esperanças, ao criar expectativas em torno da obsessão da menina Emily (Dakota) por um amigo misterioso chamado Charlie, a quem seu pai, o psicólogo David (De Niro) nunca vê – nem ninguém mais, exceto a garotinha. O desenvolvimento e, especialmente, a solução do mistério são de chorar – não de medo, mas de raiva pela falta de imaginação e até de coerência. Quem gosta do gênero, tem tudo para sentir-se frustrado no final.
