Cláudia é a prisioneira mais velha e mais respeitada da prisão, onde ela vive há 28 anos. Está vivendo súas últimas semanas nesta condição, pois vai ser libertada em breve. Ela é uma espécie de voz da experiência neste mundo de regras muitas vezes invisíveis para quem chega de fora, mas rígidas o suficiente para manter aquele universo em funcionamento. Ela acaba sendo de importância crucial para acolher a mais nova detenta, a jovem Daniela, em sua cela, pois a novata corre risco de vida. Questão de ruptura de um silencioso código de honra: Daniela aguarda julgamento como suspeita de ter matado o próprio filho, crime que a coloca como possível alvo de violência das demais presas, por mais que ela negue tê-lo cometido. Cláudia é sua protetora e conselheira. Enquanto estiver ao seu lado, nada acontecerá a Daniela, que ainda enfrenta todos os outros desconfortos de sua nova condição, sofrendo da ansiedade de não saber exatamente quanto tempo de cárcere a espera.
Mãe de duas crianças, a jovem Betânia está passando ao regime semi-aberto, o que a obriga a voltar para dormir todos os dias a uma pensão provisória, com um regulamento muito rígido. Não demora muito, ela arruma um novo namorado e decide não voltar à pensão, mesmo correndo o risco de ser presa se for parada numa batida policial.
Unindo as realidades destas mulheres, a diretora extrai o dado que é mais típico de uma prisão feminina – o abandono. Ao contrário dos homens na mesma condição, elas são quase sempre ignoradas pela família, os maridos, namorados e também pelos filhos. Uma exceção, habilmente captada pela diretora, é um marido que todas as noites se posta diante da porta da penitenciária, gritando em altos brados seu amor por sua mulher, que está ali dentro. Com a mesma delicadeza que caracterizou seus trabalhos anteriores (os curtas Batalha Naval, O Branco e A Invenção da Infância), Liliana Sulzbach dá um passo importante em sua maturidade como diretora.
