22/07/2026
Documentário

Mondovino

Documentário sobre o mundo dos vinhos, mostrando a guerra guerra entre tradição e inovação na produção vinícola em várias regiões do mundo.

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Filho de um jornalista que correu o mundo como correspondente, o cineasta Jonathan Nossiter foi garçom e sommelier e aprendeu várias línguas – inclusive o português (atualmente, aliás, ele mora no Rio de Janeiro). As duas habilidades lhe permitiram desenvolver este documentário saboroso que viaja em várias direções – histórica, sociológica, política, psicológica, familiar – ao percorrer diversas regiões do mundo onde se produz vinho, ao mesmo tempo em que revela a candente guerra entre tradição e globalização que se trava dentro dos vinhedos.

Neste panorama, mais uma vez se desenha uma rivalidade entre a França e os Estados Unidos. São franceses particularmente alguns defensores dos métodos naturais de produção, que desdenham da assessoria de especialistas como Michel Rolland, chamado aos quatro cantos do mundo para aperfeiçoar as qualidades das vinhas que lhes permitam obter altas notas de experts da imprensa, como o americano Robert Parker – cujas avaliações significam automaticamente que o preço de uma garrafa pode disparar rumo a centenas ou até milhares de dólares.

Há produtores franceses e também italianos, como os Rotschild, os Frescobaldis e os Antinoris, que se renderam à modernização e nada se incomodam com o fato de que hoje há, do outro lado do Atlântico, mais precisamente no Vale de Napa, na Califórnia, produtores como os americanos Robert Mondavi – a quem são capazes mesmo de associar-se sem culpa, como fizeram os Frescobaldi, nobre família florentina cuja experiência com o vinho remonta a pelo menos 875 anos.

Mas há quem relute tanto contra a associação com os americanos (como foi o caso da cidade de Aniane, no sul da França) quanto contra a manipulação das qualidades das uvas para agradar a experts como Parker, bem como à uniformização do gosto mundial dos consumidores. O herói desta causa é, sem dúvida, Hubert de Montille, dono de 8 hectares na região da Borgonha, vinicultor há mais de 50 anos e inimigo mortal do que ele chama de “pensamento monolítico”- seja na política, seja na degustação de vinhos.

Nessa luta entre o Velho e o Novo Continente, também a América do Sul está entrando no jogo – e também aí há métodos divergentes. Se a tradicional família Etchard, da Argentina, não tem pudores de recorrer ao especialista Rolland para aprimorar segundo o gosto mundial a qualidade de seus vinhos, pequenos produtores indígenas, como Antonio Cabezas, sobrevivem pobremente numa propriedade de apenas 1 hectare, produzindo no entanto um vinho branco Torrentes com características únicas.

O Brasil entra nesta história como um novo horizonte que se está abrindo, retratando uma região de plantio recentíssimo, até em termos brasileiros. Logo em suas primeiras cenas, o diretor mostra uma paisagem litorânea de Pernambuco, em que colhedores apanham cocos. Nossiter lhes pergunta: “Dá para fazer vinho dos cocos?”. Ao que os trabalhadores respondem sorrindo. Após essa primeira falsa impressão de que embarcaria num retrato pouco edificante do Brasil, em seu último segmento a câmera retorna a Pernambuco para entrevistar um casal de vinicultores, Isanette Bianchetti e Inaldo Tedesco, numa região em que o cultivo da uva não tem mais do que 17 anos. Não se sabe porquê, o diretor deixou de lado a tradicional região produtora no sul do Brasil.

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