De tempos em tempos, Lizzie manda uma carta para o garoto, supostamente assinada pelo pai, falando de um lugar onde ele está com seu navio. No entanto, o tal navio se aproxima da cidade onde moram e um colega de classe aposta com Frankie que o pai do garoto não vai aparecer no jogo de futebol para que possa ser apresentado a todos. Mas Frankie não duvida nem por um segundo que ele virá.
Cabe então a Lizzie aumentar ainda mais a sua mentira, contratando um dos tripulantes do navio para fazer as vezes de figura paterna de Frankie. O estranho é vivido por Gerard Butler, o Fantasma, de O Fantasma da Ópera, que aqui, sem ter que cantar e equilibrar a máscara ao mesmo tempo, mostra muito mais talento como ator.
Se até então, o roteiro de Andrea Gibb flertou com o óbvio, a segunda metade do filme dá as mãos à previsibilidade e os dois vivem felizes para sempre. A diretora Shona Auerbach até se esforça, mas não há direção sutil que resista às armadilhas desse roteiro.
O mesmo problema acontece com os atores. O trio central se esforça – e até consegue bons momentos, alguns genuinamente emocionais, mas muito poucos, que ficam cada vez mais rarefeitos à medida em que o filme caminha para a sua conclusão. Gibb poderia ter optado por explorar o viés ético da mentira da mãe. Mas o roteiro passa longe disso, muitas vezes caindo num sentimentalismo enfadonho. Esse tipo de concessão enfraquece ainda mais aquilo que Querido Frankie teria de verdadeiramente humano e honesto.
