Chega então para dominar tudo a nova escola. Foreman passa a ser ultrapassado e decadente, embora tenha feito bons negócios para a empresa. Carter Duryea (Topher Grace) tem 26 anos e é um executivo workaholic em ascensão. Ele será o novo chefe de Foreman que, diga-se de passagem, tem o dobro da idade e um casamento de poucos meses que acaba no momento em que ele declara o trabalho à jovem esposa (pequena e ótima participação de Selma Blair).
A partir de então, fica mais claro o que o roteiro escrito pelo diretor Paul Weitz (que co-dirigiu com o irmão Chris Weitz filmes como Um Grande Garoto e American Pie) veio sugerindo: os paralelos entre a vida desses dois homens. A grosso modo, com pouco mais de 20 anos, Duryea acaba de chegar ao topo da sua escala evolutiva e, como ele mesmo admite, o que lhe resta então é rolar ladeira abaixo. Já Foreman está no fundo do poço, mas tem esperanças de reerguer-se.
Entre a dupla há um novo denominador, além do trabalho: a filha de Foreman, Alex (Scarlett Johansson), de quase 20 anos, que acaba de entrar para a faculdade e pensa em se mudar para Nova York. A menina acaba se envolvendo com Duryea, para desespero de seu pai. Afinal, se para a maioria dos homens é difícil aceitar que a filha cresceu e está namorando, imagine se ela escolher o homem que roubou o seu emprego.
O roteiro e a direção de Weitz amarram com sutileza essas duas tramas, intimamente ligadas – afinal, se Duryea não tivesse conseguido o emprego, não teria conhecido Foreman e Alex. E chega a ser inusitado pensar que um dia esse mesmo diretor fizera American Pie, um filme onde o sutil passa longe. As situações são plausíveis e os personagens de carne e osso.
As interpretações também contribuem e muito para o bom resultado. Certamente Grace está em boa companhia ao lado de Quaid, que nos últimos anos tem dado prova de um inequívoco talento em filmes como Longe do Paraíso e Traffic. Grace, por sua vez, tem chance de mostrar serviço com um grande personagem e selar de vez a sua migração do programa da TV “That’s 70 Show” para o cinema. Mas é Scarlett que, novamente, consegue muito sem parecer precisar de muito esforço. Como a filha dividida entre o dever familiar e a paixão, a atriz gravita com densidade e charme.
Em Boa Companhia é também uma espécie de comédia melancólica – algo como Se Meu Apartamento Falasse. Existem fatores que provocam o riso – principalmente aqueles vindos de uma situação inusitada – sem deixar de lado uma reflexão – embora light, nesse filme – sobre as transformações sobre as quais não temos controle, gerando um certo desconforto, alguma tristeza. Tudo isso muito bem ilustrado ao som de músicas melancólicas de nomes como Peter Gabriel e Steely Dan, que pontuam a trama na hora certa.
