Sempre identificado com o Cinema Novo e o cinema autoral, Capovilla não perdeu seu estilo. A história desse seu Harmada é cheia de símbolos e metáforas que o espectador precisa se dispor a decifrar. Basicamente, trata de um momento de grave crise na vida de um protagonista, que se denomina genericamente como “O Ator” (Pereio), e vagueia por um país imaginário da América Latina. Ele luta, mas não consegue o que mais quer da vida: representar e viver de sua arte. Envolve-se em bebedeiras, conflitos e com muitas mulheres. Uma delas (Patrícia Libardi) é uma jovem que, num determinado momento, descobre-se que pode ser sua filha. Mas é justamente ela quem vai estimulá-lo a prosseguir num projeto que poderá reinventar toda a vida dele.
Exemplo ilustrativo das dificuldades da produção cinematográfica nacional, Harmada foi filmado em 2002, finalizado em 2003 mas só agora chega ao circuito exibidor. Tanta defasagem não fez bem ao filme, que se mostra fragmentado e confuso, muito menos ao seu autor – que dirigiu Bebel, Garota Propaganda (1968) e O Profeta da Fome.
Na ficha técnica, alinham-se outros veteranos de quilate, como o diretor de fotografia Mário Carneiro (que trabalhou com Glauber Rocha e Joaquim Pedro de Andrade) e o cinegrafista Dib Lutfi.
