O mais penoso obstáculo para roteiristas de comédias românticas é, sem dúvida, superar as limitações de um gênero em que a imitação e previsibilidade são as tônicas dominantes. Como seguem basicamente a mesma fórmula, com tempos determinados de apresentação do casal, do conflito e da reviravolta final, o mais valoroso está na capacidade inventiva do roteiro em amortizar as similitudes dos filmes em seus invariáveis desfechos.
Embora seja recorrente o erro neste tipo de produção, há exemplos de qualidade e originalidade. De Harry &Sally – Feitos Um para o Outro a Um Lugar Chamado Nothing Hill, passando por Alguém Tem que Ceder, é possível separar o trigo e provar que existe vida pensante nas produções essencialmente comerciais. Os diretores Farrelly, Bobby e Peter, responsáveis por Amor em Jogo, sabem disso e buscam sempre no escracho e no deboche as armas para sair da mesmice.
Conhecidos pela direção e roteiro do humorado Quem Vai Ficar com Mary, a dupla mostra irreverência ao tratar dos temas mais sensíveis, como amor e ingenuidade. Também mostram bastante competência na escolha do elenco, deixando a química entre os atores a serviço de seu peculiar humor, que oscila entre o negro e o pastelão.
Em seu novo filme, os irmão apostaram no carisma de Drew Barrymore, que assina a produção – e mostra que também sabe ganhar dinheiro -, e do humorista americano Jimmy Fallon, conhecido por seu trabalho no televisivo Saturday Night Live. Eles fazem o papel de Lindsey, uma profissional bem sucedida, e Ben, um professor de matemática um tanto atrapalhado e apaixonado.
Embora o namoro engate, existe um pequeno detalhe que pode atrapalhar tudo: o fanatismo do rapaz pelo time de baseboll Boston Red Sox. Uma amor à camisa comparável aos torcedores mais entusiasmados dos times de futebol brasileiro. Não é difícil chegar a conclusão de que esse será o principal obstáculo para os amantes manterem uma relação saudável.
O que chama a atenção neste trabalho é o inegável talento dos diretores de extrair de Drew toda a sua vertente cômica, tal como bem utilizam as improvisações de Fallon para compor personagens sensíveis e verossímeis. Também souberam aproveitar todo o ânimo da dupla de roteiristas Lowell Ganz e Babaloo Madel, responsáveis por o sucessos como Splash – Uma sereia em Minha Vida.
Amor em Jogo torna-se assim um bom programa e uma exceção à cascata de decepcionantes produções do gênero (Hitch, Leis da Atração e Procura-se um amor que goste de Cachorros, para dizer o óbvio) que inundaram os cinemas nos últimos tempos. Mais do que isso, mostra que as comédias românticas podem ser revigoradas com um pouco de inteligência.
