03/06/2026
Documentário

Coisa Mais Linda

Este documentário faz uma verdadeira viagem pela história da Bossa Nova, mostrando as suas influências e conseqüências para a música nacional. Além de apresentar imagens inéditas de ícones do movimento musical, o filme conta com depoimento de músicos como Carlos Lyra e Roberto Menescal.

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O falso bate-papo informal entre os compositores Carlos Lyra e Roberto Menescal já nas primeiras cenas de Coisa Mais Linda denuncia ao espectador a nostalgia dominante do novo documentário do cineasta mineiro Paulo Thiago. Ao esmiuçarem os baús do movimento que revolucionou a cultura musical brasileira, seja pela melodia, seja pelos elaborados arranjos, eles não escapam da melancolia que acompanhará toda a produção.

O diretor - que também assina o roteiro - aborda diretamente uma época de ouro, inesquecível e um Rio de Janeiro belo, não assombrado pelas marcas da violência. Discursos emocionados de velhos amigos que ajudaram a eternizar a batida que, em 1962, no Carnegie Hall, encantou os americanos em Nova York.

Nos depoimentos, nas imagens inéditas de apresentações, nas homenagens a Vinícius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto e Nara Leão, o painel da década de 50 é redesenhado. Alaíde Costa, Johnny Alf, Joyce, Wanda Sá, Iko Castro Neves, entre outros que ainda defendem as bandeiras da Bossa Nova, estão lá para juntar as peças que explicam o nascimento do famoso banquinho e violão.

As lembranças são apenas quebradas pelos capítulos nos quais o filme está dividido, focados em letra, harmonia, batida, ritmo e, até, o banquinho. Discussões acompanhadas por teóricos como Sérgio Cabral, Tarik de Souza e Arthur Tavola. Mais didáticos, eles situam o espectador em um contexto mais amplo da música brasileira e, assim, mostram a importância de tudo o que se vê na tela.

No entanto, por mais que sejam as recordações e apresentações as grandes personagens deste documentário, as insistentes investidas do diretor e roteirista em sensibilizar o espectador desvirtuam sua real proposta. A inserção de poesias dos mais variados autores, trechos líricos das obras de Vinícius de Moraes invadem a tela em situações desnecessárias e sem propósito.

Paulo Thiago também comete uma série de erros, principalmente técnicos, como fotografia ou simples enquadramentos de câmera. Some-se a isso a péssima qualidade de algumas imagens exclusivas, que demonstram pouco capricho na edição final de seu trabalho.

Entre erros e acertos, o que se pode ressaltar em Coisa Mais Linda é a sempre bem-vinda reverência a um dos mais importantes movimentos culturais brasileiros. A Bossa Nova deveria merecer mais atenção por parte do cineasta, responsável também pela homenagem a Carlos Drummond de Andrade, no irregular documentário Poeta de Sete Faces. Mas a iniciativa de levar ao cinema algumas das mais belas canções na língua portuguesa – e histórias extrovertidas sobre sua criação – mesmo assim deve ser comemorada.

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