O caso aqui é outro: a data de estréia já estava programada mesmo antes de anunciada a seleção do Festival. E os prêmios em do público e melhor roteiro em Gramado só reforçaram o lançamento.
O longa, na verdade, tem data de validade – ao menos em se tratando do lançamento em cinemas. É preciso embarcar na fama que o protagonista do filme Edson Celulari está desfrutando com o seu personagem na novela das oito.
O filme marca a estréia do curta-metragista Paulo Nascimento na direção de longas. Como o próprio diretor contou na coletiva de lançamento do filme, semanas antes do Festival, esse não era para ser a sua primeira produção – mas devido a um concurso foi obrigado a antecipar esse filme, e não um menor, que estava em planejamento.
Diário de um Novo Mundo é uma saga épica gaúcha co-produzida por Brasil, Portugal, Uruguai e Argentina, com roteiro de Pedro Zimmerman, baseado no romance “Um Quarto de Légua em Quadro”, de Luis Antônio de Assis Brasil. Celulari é Gaspar de Fróes, um médico que registra a viagem dos Açores para o sul do Brasil em seus diários.
Chegando às novas terras, a vida de Gaspar pouco muda a princípio. Ele continua tentando fugir dos fantasmas do passado que o perseguem. Surge uma nova esperança ao conhecer a bela Dona Maria (Daniela Escobar), esposa de um importante militar português. Com a partida do marido dela, os dois começam um caso amoroso, ameaçado pela repressiva sociedade da época.
Apesar da cuidadosa produção, com cenários e figurinos caprichados, Diário de um Novo Mundo padece da falta de paixão entre seus protagonistas. A relação entre Gaspar e Dona Maria, que deveria ser incendiária, é fria. O que resta do filme é uma aula de história chata sobre colonização e guerras.
Por mais que Celulari e Daniela (ela mais do que ele) pareçam se esforçar para dar algum ânimo a seus personagens, é impossível superar o roteiro capenga (que, espantosamente, foi premiado em Gramado). Há verdadeiras crateras ao longo da narrativa, com um salto de dez anos, e personagens mal explicados.
Soma-se a isso a falta de experiência do diretor Paulo Nascimento, a quem falta noção de posicionamento e movimentação de câmera (nuca se viu tanta moleira no cinema brasileiro) e direção de atores. Além disso, o visível deslumbramento que ele parece ter com o uso de câmera lenta só torna o filme mais sonífero. Se todas as seqüências com esse artifício estivessem na velocidade normal, o filme talvez tivesse uma meia hora a menos. Já a deslocada trilha sonora de Duda Leindecker só colabora com a estranheza negativa que o filme causa. A música tenta dar um toque moderno e eletrônico à história antiga. No entanto, é tão assustadora e mal resolvida quanto as cenas finais do filme.
