Quando estreou o filme A Fantástica Fábrica de Chocolate, muitos se perguntavam se Tim Burton conseguiria realizar um filme apropriado ao público infantil. Produções anteriores (Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça) apontavam para uma resposta negativa. E, para a surpresa de todos, a resposta foi clara: a crítica enalteceu a obra e o público lotou os cinemas.
Por isso, não é estranho que A Noiva Cadáver, no fim, possa ser vista como um filme infantil. Muito similar, aliás, à sua primeira animação em stop motion (em que modelos flexíveis se movem com muito cuidado, quadro por quadro, para obter a ilusão de movimento), o adorável O Estranho Mundo de Jack (1993).
A história não é lá tão fácil de digerir, mas é simples. Tudo começa com os preparativos do casamento arranjado entre Victor (dublado pelo ator coqueluche do diretor, Johnny Depp) e Victoria (Emily Watson). Apesar de tudo, os jovens se apaixonam. Tudo parece ir bem até o tímido Victor treinar seus votos matrimoniais no lugar mais improvável e pouco romântico da cidade: um ermo cemitério.
A história começa a se complicar quando uma das moças sepultadas acha que Victor está dizendo as belas palavras para ela. Encantada com o galante rapaz, a noiva cadáver (Helena Bonham Carter) aceita erroneamente os votos e sente-se casada com o pobre e apavorado Victor, levando-o para o mundo dos mortos. Enquanto isso, os pais de Victoria pensam em casá-la com outro partido.
Os episódios da vida e morte dos protagonistas são acompanhados por entusiasmados números musicais - cortesia de Danny Elfman. A verdade é que o músico já esteve mais inspirado, principalmente se se comparar este trabalho com as satíricas composições para A Fantástica Fábrica de Chocolates.
Por outro lado, como era de se esperar, o trabalho do elenco é impecável, tal como a técnica, um triunfo para os artistas que trabalharam por anos a fio nesta produção. Destaque-se aqui o trabalho de Mike Johnson, que ficou, desde 2002, observando os técnicos coordenarem o movimento dos bonecos.
Mas, no fim, mais do que a tecnologia por trás das imagens, o que vale mais é a criatividade e a imaginação para criar grandes histórias.
