26/08/2026

O Mercador de Veneza

Na Veneza do século XVI, Bassanio pede dinheiro emprestado a um comerciante para galantear Portia. Porém, o dinheiro do mercador está investido e ele recorre a um agiota judeu. Se o débito não for pago, ele receberá um pedaço de carne do corpo do comerciante. Porém, este perde seus investimentos, e passa a correr risco de vida.

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Que Al Pacino é um grande intérprete, não resta qualquer dúvida, mas suas últimas escolhas profissionais andavam bem abaixo de todo o seu potencial. Por isso é um enorme prazer vê-lo fazer O Mercador de Veneza. É como se o ator aceitasse um novo desafio a cada cena. E, o que é melhor, corresponde à altura de um texto de Shakespeare.

O Mercador é uma das mais famosas peças do dramaturgo inglês que ainda não tinham tido uma grande adaptação cinematográfica. E não é difícil imaginar o motivo ao se assistir à versão feita por Michael Radford (O Carteiro e o Poeta).

O maior problema que as platéias contemporâneas devem enfrentar com o filme é o teor anti-semita que impregna todo o texto. Logo de início, o filme mostra a tensão entre judeus e cristãos na Veneza do século 16.

E se aquele comportamento era natural naquela época, hoje soa politicamente incorreto. Mas o filme se mantém fiel ao espírito shakespeariano. Até porque essa rivalidade é o fio central da obra.

Pacino é Shylock, um judeu agiota que tem uma grande rivalidade com o comerciante cristão Antonio (Jeremy Irons), porque este empresta dinheiro sem cobrar juros. Apesar disso, o mercador pede emprestado 3 mil ducados ao judeu. O dinheiro é para seu amigo Bassanio (Joseph Fiennes), que irá usá-lo para galantear a rica herdeira Portia (Lynn Collins).

Shylock aceita fazer o empréstimo, pois se algo der errado será a chance que aguarda para se vingar das humilhações de Antonio. Se a dívida não for paga em três meses, o judeu receberá como pagamento um pedaço de carne do corpo do mercador cristão. Quando Antonio fica sabendo que seus navios se perderam no oceano, acaba ficando à mercê de Shylock. E o caso vai parar no tribunal para decidir se o judeu irá cortar ou não um pedaço do comerciante.

Enquanto isso, Bassanio vai em busca do amor de Portia. Ela mantém três baús com relíquias diferentes -- um deles tem o seu retrato. Ela fez um juramento de se casar apenas com o homem que descobrir em qual deles está o retrato.

Não há dúvidas de que o filme é de Al Pacino, que se reinventa a cada cena. O seu judeu Shylock se faz de vítima a todo momento e em nenhuma cena isso soa falso.

Outra grata surpresa é Lynn (De Repente 30). Sua beleza e talento fazem de Portia uma das melhores personagens do filme. Fiennes, após interpretar o bardo em pessoa em Shakespeare Apaixonado, vive sem muita empolgação um papel menor. Assim como Irons, que apesar do destaque no longa, não impressiona.

O Mercador de Veneza tem toda grandiosidade que filmes de época costumam ter. Com cenas rodadas na cidade italiana e em Luxemburgo, o longa tem um rigor e apelo visual de encher os olhos.

A fotografia de Benoît Delhomme tem textura e densidade, e a trilha sonora de Jocelyn Pook (De Olhos Bem Fechados) contribui para fazer a diferença.

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