No conjunto dos filmes de pouca monta, por assim dizer, encontra-se também Concerto Campestre, de Henrique de Freitas Lima (diretor de Lua de Outubro, de 2001, que não foi exibido no circuito comercial paulista). Rodado em 2002, em Pelotas, a obra é uma adaptação do livro homônimo de Luiz Antonio de Assis Brasil sobre uma história possivelmente verídica ocorrida no século XIX. Um relato como tantos outros que abundam em terras dominadas a mão de ferro por ricos fazendeiros, que em seus delírios de grandeza investem em casamentos arranjados e projetos excêntricos.
Assim, o filme conta a história de um estancieiro (Antônio Abujamra) apaixonado por música que contrata um maestro mulherengo (Leonardo Vieira) para criar uma orquestra em sua estância. Seguir essa história nos leva a dois pontos cruciais: como o tal maestro conseguirá profissionalizar os bêbados e vagabundos contratados e, em segundo lugar, não seduzir a bela e jovem filha do fazendeiro (Samara Felipo).
O que se pode ressaltar nesta produção é, sem dúvida, sua qualidade cenográfica. Móveis emprestados pela comunidade de Pelotas, que ainda cedeu objetos de decoração e uso diário, dão veracidade às cenas. Outro ponto favorável é o figurino, extraído do livro "O Gaúcho", de Edson Acri, compondo os detalhes mais importantes do vestuário típico do laçador.
No entanto, uma obra mediana já não seria recomendada para adaptação, tal como um elenco sem brilho não deveria ser escalado. Embora não se tenha qualquer ressalva ao talento de Abujamra e ao visível esforço de Leonardo Vieira e Samara Felipo, o livro não convence como produto dramático, nem os atores como seus personagens.
Assim, é fácil entender como o roteiro e a direção falham nas partes mais decisivas. Com diálogos equivocados, sotaques que desaparecem e reaparecem misteriosamente, efeitos especiais pobres e um desfecho constrangedor, chega ao fim o filme. Fica-se com a impressão de que nada funcionou, exceto a caracterização dos cenários.
