22/07/2026
Drama Comédia

Finais Felizes

Vários personagens se encontram ao longo de alguns anos e têm o curso de suas vidas alteradas. Quando adolescente, Mamie foi obrigada a dar o filho para adoção. Anos depois é procurada por um jovem cineasta que pretende gravar o reencontro. Enquanto isso, o filho de seu padrasto desconfia que um casal de lésbicas tenha utilizado sêmen de seu namorado para engravidar.

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Para se fazer um daqueles filmes cheios de histórias, com vários personagens que se encontram ou não, e parecem estar ligados, ou não, por um fio invisível do acaso é preciso um bom elenco. Robert Altman e Paul Thomas Anderson já provaram com obras como Short Cuts e Magnólia que esse tipo de filme é possível. Agora é a vez de Don Roos (O Oposto do Sexo) se arriscar no gênero. E se sai muito bem, obrigado – por conta de um elenco talentoso.

Seu filme Finais Felizes é estrelado por diversos atores capazes e muitas vezes subestimados, como Lisa Kudrow, Steven Coogan, Jesse Bradford, Bobby Cannavale e Maggie Gyllenhaal. Aqui eles encontram a chance de mostrar empenho em personagens bem delineados e tramas interessantes.

Tudo começa com Mamie (Lisa) sofrendo um horrível acidente de carro, mas um letreiro informa com muito bom humor que ela não morrerá – aliás, as palavras no canto da tela garantem que neste filme ninguém vai morrer. Anos antes, ela acabou ficando grávida do filho do padrasto. A mãe a obrigou a fazer um aborto – mas ela não aceitou e deu o filho para adoção.

Agora, anos depois aparece um jovem cineasta (Bradford) fazendo chantagem. Ele diz saber onde está o filho abandonado e quer fazer um documentário do reencontro entre mãe e filho, para assim ingressar numa escola de cinema prestigiosa. Ela não aceita, mas o apresenta ao seu namorado (Cannavale) – um massagista sério que finge ser um garoto de programa para levar o cineasta a fazer um filme sobre ele, e não sobre o filho adotado. O plano parece dar certo.

Outro grupo de personagens é liderado por Charley (Coogan), o pai do filho de Mamie, que agora virou gay, é casado e tem um restaurante. Ele está desconfiado de que o bebê das amigas lésbicas gerado in vitro pode ser fruto de espermatozóides que seu namorado doou a um banco há alguns anos. Boa parte da diversão do roteiro vem da neurose dele tentar descobrir se o namorado é ou não o pai da criança.

Charley também é objeto do desejo de um jovem funcionário de seu restaurante, que é o líder de uma banda ruim que tenta o sucesso. A oportunista Jude (Maggie) descobre que o garoto é gay não assumido e ameaça contar tudo para a família dele. Na verdade, ela quer que o rapaz a ajude a conquistar o pai, que é viúvo.

Essa rede de personagens vai sendo ligada aos poucos, com reviravoltas de roteiro e uma direção segura de Roos. Os letreiros que aparecem a toda hora no filme são uma espécie de comentário irônico sobre as situações que eles enfrentam.

Do bom elenco, destaca-se a bela Maggie Gyllenhaal, que tem tudo para se tornar a nova musa do cinema independente norte-americano, com filmes como Secretária e A Casa dos Bebês. Na maior parte do tempo, aqui, o filme é dela, com sua personagem de jeito doce, mas extremamente manipulativa e sem muitos escrúpulos..

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