Aliás, é praticamente isso que acontece com o resto do elenco do filme, escrito e dirigido por Dan Harris, que escreveu o roteiro de X-Men 2. A começar por Jeff Daniels, que no papel do patriarca mostra-se totalmente deslocado. Mesmo o jovem ator Emile Hirsch, que interpreta o personagem central do filme, parece perdido num papel desenvolvido pela metade.
Sigourney e Daniels são Sandy e Ben, um casal que, logo nas primeiras cenas, perde o filho mais velho, um campeão de natação que se mata com um tiro. Sobram o caçula Tim (Hirsch) e a filha Penny (Michelle Williams) para segurar a família. Ela, porém, parte para a faculdade e o rapaz fica sozinho tentando lidar com as ausências do pai e a dor da mãe.
Embora o roteiro tenha ressonância de outros como Tempestade de Gelo e Beleza Americana ao mostrar famílias problemáticas, Heróis Imaginários mais se parece com Gente Como a Gente ao retratar um adolescente com problemas emocionais lidando com a perda de um irmão mais bem sucedido.
No entanto, na maior parte do tempo Heróis Imaginários segue como um candidato a novela mexicana, acumulando diversos problemas nas vidas de seus personagens. Quando há um suposto alívio cômico (uma festa de Natal), a cena parece totalmente descolada – parece ter sido feita para outro filme. Essa seqüência só serve para quebrar o tom, tentando trazer uma certa ironia fora de hora.
Ao menos em seu clímax, Heróis Imaginários se mostra convincente. É nessa hora que vem à tona um segredo guardado durante todo o filme e que justifica a espiral de acontecimentos, da qual ao suicídio do início faz parte.
