Ontem e hoje se confundem nos relatos e imagens de arquivo, imersos em um sonho que ainda parece não ter sido aniquilado, mesmo depois de sete décadas de sua criação. Em um contexto geral, o documentarista mostra o mimetismo do movimento integralista com os conceitos nazi-fascistas que dominavam a Europa na década de 30.
O diretor tem o cuidado de mostrar suas significativas diferenças, a começar pela idéia que influenciou a escolha do título da produção. Plínio Salgado, um dos mentores do movimento, teria dito certa vez: "Um integralista é antes de tudo um soldado de Deus". O aspecto sacro de suas fundações é seu maior diferencial quando comparado às idéias de Hitler ou Mussollini.
Nessa linha de raciocínio, de forma simples, sem tanta interferência estética - privilegiando assim, mais o conteúdo - o documentário aproxima o espectador do mundo integralista. Uma espécie de imersão aos seus ideais, apostando em historiadores, filósofos, escritores e contemporâneos de Salgado, para mostrar as ambigüidades, defeitos e valores do movimento.
O saldo final da obra de Sanz mostra destreza em pontos fundamentais, como argumento, roteiro e edição. Não por acaso, o cineasta foi reverenciado com o prêmio Estácio de Sá, concedido pelo governo do Estado do Rio de Janeiro por sua relevância no cinema brasileiro.
Documentários históricos sempre têm algo a acrescentar. Uma didática que facilita a compreensão do espectador sobre determinado tema, de forma crítica aos discursos, sejam eles oficiais ou oficiosos. Soldado de Deus tem esse mérito, a ponto de ser mais do que uma obra cinematográfica, mas um instrumento educativo para quem assiste.
