Num país em que a escolarização é uma tarefa tantas vezes impedida pelas dificuldades econômicas, estas parteiras são um acabado exemplo de mulheres formadas por si mesmas, na vida e na prática do dia-a-dia. A maioria delas é analfabeta e conhece higiene no máximo pelo acesso a alguns cursos sobre este assunto, ministrados pelos serviços sanitários locais. O resto vem de sua sabedoria popular. E são elas as principais responsáveis pelo admirável índice de 88% de nascimentos por parto normal no estado, mantendo abaixo até da média recomendada pela OMS o índice de cesarianas, 12%.
Um dos aspectos mais interessantes destas profissionais é serem imbuídas de um certo sentido de missão. Afinal, não é por dinheiro que desempenham uma tarefa que requer longos deslocamentos, noites sem dormir e uma estadia média de sete dias com cada parturiente após o nascimento da criança. A maioria delas recebe em espécie – alimentos, uma galinha – ou pequenas somas em dinheiro (algo como R$ 10,00).
Entrando nos rincões da Amazônia, a câmera surpreende alguns exemplos inesperados da intensiva miscigenação do Brasil nas duas irmãs, mestiças indígenas de olhos claros que falam um dialeto em que se notam vestígios de francês.
O filme foi premiado nos festivais de Belém 2004 – onde venceu os troféus de melhor filme e diretor –, no Cine PE – 2004 (prêmio especial do júri) e na Jornada de Cinema da Bahia, além de exibido na Semana da Crítica do Festival de Locarno, na Suíça.
