19/07/2026
Documentário

Moro no Brasil

O cineasta finlandês Mika Kaurismaki viaja desde Pernambuco até o Rio de Janeiro para retratar as origens do samba e outros ritmos musicais brasileiros. Nessa viagem, faz um saboroso retrato da diversidade musical e racial do País, onde ele decidiu morar há alguns anos.

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Pronto desde 2002 e já lançado na Europa, este curioso documentário do finlandês radicado no Brasil Mika Kaurismaki procura mapear as origens do mais brasileiro dos ritmos – o samba. No final, um objetivo que ele não segue à risca, optando por mostrar a impressionante diversidade musical do Brasil.

Mika inicia sua trajetória em Águas Belas (PE), onde encontra as raízes indígenas do batuque sambístico entre os fulni-ôs. Dessa origem indígena, que muitos brasileiros mesmo devem desconhecer, Mika prossegue a viagem musical em Caruaru, onde apresenta as bandas de pífanos e os forrozeiros, como Silvério Pessoa e Jacinto Silva (que morreu pouco depois das filmagens).

Em Recife, encontra a matriz negra do samba nos maracatus, dos tipos rural ou nação – este último, fonte da impactante bateria das modernas escolas de samba. Antônio Nóbrega introduz o frevo e Zé Neguinho do Coco, o ritmo que está no seu nome, o coco. A dupla Caju e Castanha desfia a maestria frenética da embolada, garantindo estar nela a raiz de gêneros como o rap. Caju é outra baixa do filme, morrendo pouco depois deste depoimento e sendo substituído na dupla por seu filho, Cajuzinho.

O balé afro do grupo Majé Molé, os afoxés e o candomblé baianos são a próxima parada da viagem musical de Kaurismaki – irmão de Aki Kaurismaki, diretor de O Homem sem Passado. Da Bahia, através da cantora Margareth Menezes, vem uma das definições do que o filme está mostrando: a mistura é a marca da música e do País, um enorme caldeirão étnico e rítmico, que Mika capta nos sons e nos rostos de pessoas nas ruas por onde passa. Uma diversidade que se mostra certamente fascinante para ele, um finlandês vindo de um país frio e monocromático em termos raciais.

Aportando no Rio de Janeiro, Mika destaca tanto veteranos como Walter Alfaiate e a Velha Guarda da Mangueira quanto a revelação seu Jorge, sem esquecer de colocar uma pitada de funk através da presença de Ivo Meirelles. Não é um mapa completo nem definitivo da música brasileira. Tem um indiscutível olhar estrangeiro, que nem o diretor tenta esconder. Às vezes, parece um pouco didático ou tenta ser. Natural, porque se trata de uma co-produção internacional (entre o Brasil, a Alemanha e a Finlândia) com visível interesse na colocação do filme em outros mercados. Nem por isso perde o mérito de registrar uma visão abrangente e amorosa sobre o País, ao qual Mika parece sincera e irresistivelmente apegado.

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