19/07/2026
Drama

A Lula e a Baleia

Em meados dos anos 80, Bernard (Jeff Daniels) é um escritor tentando publicar seu segundo livro. Ele transforma o sucesso do livro de mulher, Joan (Laura Linney), na gota d’água para o fim do casamento. Os filhos também sofrerão as conseqüências da separação.

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A canção “Hey You”, do Pink Floyd, usada diversas vezes em A Lula e a Baleia traz um verso muito importante que resume a idéia do filme. “Juntos sobrevivemos, separados nos acabamos”, diz a letra cantada pela banda. É isso que o longa mostra em sua narrativa, como a dissociação de uma família afeta, nos mais diversos níveis, a vida de cada membro. Ainda assim, os personagens sobrevivem separados, mas menos inteiros do que se estivessem juntos.

Escrito e dirigido por Noah Baumbach (um dos roteiristas de A Vida Marinha com Steve Zissou), baseado no divórcio de seus pais (uma crítica de cinema e um escritor), A Lula e a Baleia mostra a dolorosa separação de um casal – na verdade de uma família inteira, a partir do fim do casamento dos pais.

No bairro do Brooklyn, em meados dos anos 80, Bernard Berkman (Jeff Daniels) é um professor que tenta publicar seu segundo livro, e não consegue lidar muito bem com o sucesso de sua mulher Joan (Laura Linney), que está para lançar seu primeiro romance. Isso é a gota d’água para o fim do casamento que já enfrentava sérios problemas. Mas quem mais sofre são os dois filhos, o adolescente Walt (Jesse Eisenberg) e o pequeno Frank (Owen Kline).

Das brigas constantes sobre quem passará a noite na casa do pai ou da mãe, ou o que farão com o gato, A Lula e a Baleia explora um terreno emocional delicado, conseguindo ser ao mesmo tempo terno, divertido, melancólico e, acima de tudo, bem sincero. As feridas emocionais dos personagens são expostas em níveis e com respostas diferentes, afinal, cada um sente suas emoções de uma forma.humanística.

Tudo isso é centrado na figura do filho mais velho, Walt, que faz a sua entrada no mundo adulto através do divórcio dos pais. Como primogênito, ele se sente na obrigação de juntar os pedaços que vão caindo ao longo do tempo. Ele vai assumindo uma espécie de figura paterna perante ao seu irmão que vê o pai esporadicamente, e nunca sabem o que fazer juntos.

Embora o roteiro lide com os altos e baixos dessas quatro vidas, a narrativa consegue se manter numa linha coesa. Baumbach mostra um olhar especial para o desenvolvimento da vida interna de seus personagens, sem se esquecer de conduzir a ação geral do filme, mostrando, além disso, pequenos absurdos de suas vidas, com ternura.

O elenco também parece ter embarcado no convite do cineasta e todos se mostram num dos melhores momentos de suas carreiras. Daniels faz o retrato de um artista narcisístico e egocêntrico incapaz de se envolver com os próprios filhos. O destaque é mesmo o jovem Eisenberg, que, como seu personagem, que conduz a família nos tempos difíceis, conduz o espectador nessa viagem melancólica.

A Lula e a Baleia é um dos filmes mais elogiados do ano passado. Além de ser indicado ao Oscar de roteiro original (perdendo injustamente para Crash – No Limite), foi premiado em Sundance, com roteiro e direção. Entre suas indicações também estão, no Globo de Ouro, melhor filme comédia/musical, ator e atriz.

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