20/07/2026
Comédia

As Loucuras de Dick e Jane

Casal de classe média alta, o executivo Dick (Jim Carrey) e a agente de viagens Jane (Téa Leoni) têm a vida que pediram a Deus: casa em bairro de luxo, carrão e empregada para tomar conta do filho. Até o dia em que a empresa de Dick dá um golpe nos acionistas e entra em falência, ao mesmo tempo em que Jane pedira demissão. Arruinados, eles vão perdendo tudo até terem a grande idéia: tornarem-se assaltantes, usando máscaras e disfarces.

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A falência das grandes corporações, tipo o conglomerado Enron, e outros escândalos recentes nos EUA – sim, porque lá também acontecem escândalos, como em qualquer lugar – forneceram a inspiração para esta comédia, que atualiza uma outra, feita em 1977, com Jane Fonda e George Segal nos papéis principais.

Nesta versão, o casal é vivido por Jim Carrey e Téa Leoni (atriz que tem contra si o peso de não ter ritmo algum para comédia). Comediante de muitos recursos e energia inesgotável, Carrey abraça a missão de segurar o filme nas costas, o que faz com razoável talento. Se tivesse um roteiro melhor para brincar, poderia ter rendido muito mais.

Uma história como esta, que faz piada com a desgraça de uma família de classe média alta que perde tudo e parte para o assalto, tem o tipo de humor provocativo e anárquico que depende de ritmo e leveza suficientes para rolar. Primeiro problema: não há sutileza alguma na primeira metade do filme, que aborda a derrocada irresistível da família.

Assim, vemos Dick rodando por testes de emprego, pendurado ao telefone pedindo entrevistas, vendendo os eletrodomésticos da casa – para desespero de seu único filho, até mesmo a televisão. Seqüências de gosto duvidoso colocam Jane na fila de um laboratório que paga US$ 15 para que candidatas se submetam a um teste de cosméticos que lhe rende um inchaço monstruoso no rosto. Enquanto isso, Dick, seguindo os conselhos de sua empregada mexicana, tenta obter algum trabalho como pintor no bairro desses imigrantes – apenas para ser deportado além da fronteira, depois que perde os documentos. Todas as alusões aos mexicanos, aliás, são de péssimo gosto e nada engraçadas.

No momento em que, do fundo do poço, o casal decide assaltar, o filme melhora um pouco. A idéia, que não é nova, pelo menos brinca com uma fantasia secreta do público, já que os assaltados são bancos e outras instituições a quem reconhecidamente não falta dinheiro. E as fantasias usadas pelo casal para não ser reconhecido são até levemente divertidas.

A melhor intenção da história está em procurar vingar os prejudicados pela falência fraudulenta da firma onde Dick e outros trabalhavam, pregando uma peça ao arquivilão vivido por Alec Baldwin. Um episódio que brinca com escândalos americanos, como a Enron. Mas é pouco para salvar o filme. As Loucuras de Dick e Jane é uma comédia que sofre de uma tremenda falta de imaginação.

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