E é assim que o rumor se espalha, até chegar aos ouvidos de Sarah Huttinger (Jennifer Aniston), neta de Katherine que visita a cidade para o casamento da irmã Annie (Mena Suvari), e começa desconfiar que não é filha de seu pai, mas do outro cara. Acontece que ele é uma espécie de conquistador barato com um fetiche por mulheres dessa família, e acaba seduzindo a pobre e indefesa Sarah – e, não, ele não é o pai dela, afinal este é um filme hollywoodiano. Com isso, a moça começa a ter dúvidas sobre o seu relacionamento com o doce e meigo Jeff Daly, interpretado por Mark Ruffalo, que está se especializando num único tipo de personagem.
O principal problema de Dizem Por Aí..., entre os vários, é que ele é chato – algo, aliás, bem ruim para uma comédia. Não há um senso de humor, nem graça ou charme. Os poucos momentos próximos à diversão vêm de Shirley (que faz uma versão menos interessante de seu papel em Em Seu Lugar) e Costner, e só deles, não do roteiro de Ted Griffin (Onze Homens e Um Segredo), ou da direção de Rob Reiner (Alex e Emma). O roteiro, aliás, pertence àquela categoria que parece não acreditar que a platéia de cinema seja dotada de alguma inteligência, e por isso se explica tudo à exaustão. Jennifer é esforçada, mas parece estar repetindo na tela grande sua famosa personagem da extinta série Friends, fazendo caras e bocas no papel da moça inteligente, mas indefesa e cheia de dúvidas. Seu cabelo belo e bem cuidado rouba a cena toda vez que ela está na tela. Tanto que num dado momento um personagem pergunta se ela é modelo de propaganda de xampu. Não deve ser por acaso.
A história se passa em 1997 e não por motivos de nostalgia. O filme mantém uma relação estrita com A Primeira Noite de um Homem , lançado em 1967. Se fosse situado nos dias contemporâneos, todos os personagens deveriam ter quase 10 anos a mais, a protagonista não poderia ser feita por Jennifer e o público-alvo não poderia ser mulheres entre 20 e 35 anos. Dessa forma Dizem Por Aí... está situado na época do boom das .com. Por isso, um certo ar de nostalgia de uma época em que as pessoas eram mais ingênuas ou esperançosas.
Bem no fundo de Dizem Por Aí... parece haver uma idéia involuntariamente plantada. O filme poderia ser sobre como a ficção está mais próxima da realidade do que a gente desconfia; ou sobre como a literatura e o cinema ‘emprestam’ fatos a personagens reais para se alimentar. Mas uma coisa é certa: este filme prova que um clássico não adquire esse status por acaso. Então, o dinheiro que iria ser gasto no ingresso de cinema será melhor aproveitado num aluguel de A Primeira Noite de um Homem.
