Baseado em uma história real (que acaba fatalmente nos fazendo lembrar do atentado de 11 de setembro contra as torres gêmeas, em Nova York), o filme mostra a vida do vendedor de móveis Samuel Bicke (Sean Penn), separado da mulher, Marie (Naomi Watts), uma garçonete que serve mesas numa lanchonete para poder sustentar os filhos. Samuel é o que os americanos costumam chamar de loser, aquele tipo de fracassado que não consegue enriquecer ou dar uma vida decente para sua família.
O papel cai na medida para a interpretação de Penn. Não há como não se sentir incomodado – mas também apiedado –com a vida sofrida do vendedor, forçado por seu chefe a ser um vencedor. Vender uma simples mesa, mesmo que de forma desonesta, se transforma numa verdadeira prova de sobrevivência. E justo para Samuel, que sonha em ter o próprio negócio em parceria com um amigo, dono de uma pequena oficina mecânica (Don Cheadle), mas de forma honesta, como ele sempre faz questão de frisar.
A dura vida de Samuel, que ainda sonha em reatar com a mulher se conseguir provar que não é um perdedor nato, é acompanhada pelos depoimentos na TV do presidente Richard Nixon, envolvido até o último fio de cabelo na tentativa de espionagem da sede do Partido Democrata. Samuel sofre por ser honesto, Nixon paga o preço pela mentira. O cerco se fecha sobre Samuel e também sobre Nixon, com a abertura de um processo de impeachment. A deterioração do estado mental do vendedor se acentua com tal rapidez que ele passa a ver na eliminação do presidente sua própria redenção. Nixon não será assassinado, mas a obsessão de Samuel pelo crime o levará a um beco sem saída. O colapso físico e mental do personagem encontra em Penn seu mais perfeito intérprete.
