A história se baseia na inusitada viagem de três turistas pelo interior da Austrália, em busca de aventuras e belas paisagens. Ao visitar a tal região Wolf Creek, onde se localiza uma enorme cratera secular, o carro do trio acaba em pane e eles se vêem forçados a pedir ajuda a um simpático morador local. Torna-se claro, porém, que o solícito nativo não é o que eles pensavam e o filme torna-se uma seqüência de cruéis eventos.
Ao seguir a linha terror com psicopatas, não há como não fazer comparações com O Massacre da Serra Elétrica ou Casa de Cera – para falarmos de refilmagens mais recentes. Afinal, Wolf Creek – Viagem ao Inferno não passa de um pastiche de conceitos e idéias estabelecidas e recicladas de filmes gore (conceito que fala de filmes violentos). No entanto, a produção possui peculiaridades que o distinguem de qualquer um de seus companheiros de gênero.
Greg Mclean dirige a partir de uma fórmula que une crueza e intensidade. Combina isso a uma técnica semidocumental – com iluminação natural - e dá aparência espontânea a tudo o que se vê. Assim, ele se descola da linha “horror plástico e pré-fabricado”, regularmente oferecido por Hollywood.
No entanto, ao se afastar do horror clichê, o diretor entra em uma seara pouco confortável para filmes em que jovens enfrentam a fúria de maníacos em regiões inóspitas. Ao mostrar a degeneração mental do vilão psicopata, ele atravessa a fronteira do terror B e serve aos espectadores um suspense doentio e grotesco. Quem assiste às cenas se vê refém de um voyeurismo nauseante; intragável mesmo para aqueles com estômago forte.
O desespero das personagens mostra apenas um escandaloso show de bizarrices, em que o espectador é quem mais sofre. A crueldade absoluta é o princípio motivador deste filme, que não parece ter nada a acrescentar além de náuseas.
