18/07/2026
Suspense

Wolf Creek - Viagem ao Inferno

Um trio de jovens faz uma viagem no deserto australiano. Quando seu carro quebra, eles conseguem ajuda de um estranho, que acaba se revelando um psicopata estripador.

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Uma das maiores qualidades de um roteiro está em sua originalidade. Quando se trata de um filme supostamente baseado em fatos reais, no entanto, o realismo entra em cena ao lado da intensidade do desenrolar da trama. Esses são os elementos que podem ser encontrados em Wolf Creek, primeiro longa do diretor australiano Greg Mclean. Mas são os únicos.

A história se baseia na inusitada viagem de três turistas pelo interior da Austrália, em busca de aventuras e belas paisagens. Ao visitar a tal região Wolf Creek, onde se localiza uma enorme cratera secular, o carro do trio acaba em pane e eles se vêem forçados a pedir ajuda a um simpático morador local. Torna-se claro, porém, que o solícito nativo não é o que eles pensavam e o filme torna-se uma seqüência de cruéis eventos.

Ao seguir a linha terror com psicopatas, não há como não fazer comparações com O Massacre da Serra Elétrica ou Casa de Cera – para falarmos de refilmagens mais recentes. Afinal, Wolf Creek – Viagem ao Inferno não passa de um pastiche de conceitos e idéias estabelecidas e recicladas de filmes gore (conceito que fala de filmes violentos). No entanto, a produção possui peculiaridades que o distinguem de qualquer um de seus companheiros de gênero.

Greg Mclean dirige a partir de uma fórmula que une crueza e intensidade. Combina isso a uma técnica semidocumental – com iluminação natural - e dá aparência espontânea a tudo o que se vê. Assim, ele se descola da linha “horror plástico e pré-fabricado”, regularmente oferecido por Hollywood.

No entanto, ao se afastar do horror clichê, o diretor entra em uma seara pouco confortável para filmes em que jovens enfrentam a fúria de maníacos em regiões inóspitas. Ao mostrar a degeneração mental do vilão psicopata, ele atravessa a fronteira do terror B e serve aos espectadores um suspense doentio e grotesco. Quem assiste às cenas se vê refém de um voyeurismo nauseante; intragável mesmo para aqueles com estômago forte.

O desespero das personagens mostra apenas um escandaloso show de bizarrices, em que o espectador é quem mais sofre. A crueldade absoluta é o princípio motivador deste filme, que não parece ter nada a acrescentar além de náuseas.

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