21/07/2026
Drama

Stoned – A História Secreta dos Rolling Stones

Em 1962, surge na Inglaterra uma nova banda de rock destinada a fazer história: os Rolling Stones. Um de seus criadores é Brian Jones. Embalado pelo sucesso, mergulha numa vida marcada por excesso de drogas, álcool e sexo. Logo não consegue trabalhar e é dispensado da banda por Mick Jagger e Keith Richards. Semanas depois, aparece morto em sua piscina, aos 27 anos.

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Bem na semana que os Rolling Stones desembarcam para uma turnê no Rio de Janeiro, chega às telas brasileiras esta polêmica cinebiografia, que se propõe a desenterrar o mais incômodo fantasma na história da mais famosa banda do mundo: Brian Jones, um de seus fundadores, encontrado morto em sua piscina, aos 27 anos, em 1969.

Desde essa morte, tida como acidental mas deixando margem a dúvidas, muitos livros e teorias encheram a mídia, alimentando o roteiro do filme dirigido pelo estreante Stephen Woolley - que abraça francamente a tese do assassinato de Jones (Leo Gregory) pelo empreiteiro contratado para a reforma de sua casa, Frank Thorogood (Paddy Considine), que confessou o crime pouco antes de morrer, nos anos 90.

Independentemente da verdade desse crime, que talvez nunca venha a ser provada, teorias da conspiração são sempre atraentes. Uma qualidade do filme é ultrapassar essa intenção, ressuscitando as origens da banda (que, ao que tudo indica, não cooperou com a produção) e o clima de sua época. Restaura-se o ambiente dos loucos anos 60, suas viagens em ácido, seus figurinos coloridos, um mundo de excessos em que toda liberdade, musical, artística, sensorial, sexual, política, parecia possível e infinita.

Ninguém encarna melhor essa busca de festa permanente do que Brian Jones, o músico que aos 20 anos fora um dos inventores dos Rolling Stones e, segundo alguns, seu melhor músico e compositor. O sucesso precoce o embala e ele mergulha na procura incessante de euforia, através das drogas e das mulheres, tendo como centro a bucólica mansão Cotchford Farma, em Sussex, antiga casa do escritor A.A.Milne, criador do Ursinho Pooh, que o músico adorava. Pouco a pouco, este comportamento cobra seu preço. As drogas prejudicam sua conexão com a realidade e ele não consegue mais trabalhar na medida que o grupo e a indústria precisam – o que motivará que os colegas Mick Jagger (Luke de Woolfson) e Keith Richards (Ben Whishaw) gentilmente o dispensem da banda, sem saber que dentro de poucas semanas ele estaria morto.

Um dos indícios mais seguros de que os Stones sobreviventes não colaboraram com o projeto pode ser conferido na própria trilha do filme. Estão ausentes os maiores sucessos da banda, limitando-se à execução cover de músicas que eles interpretaram, mas são de outros autores – caso de Little Red Rooster e Love in Vain. Com certeza, para evitar disputas por direitos autorais.

Um detalhe interessante é que o personagem de Frank, o empreiteiro, torna-se quase tão protagonista quanto Brian. Ao final do filme, sabemos quase tanto sobre ele quanto sobre Brian – o que se justifica, dado que se abraça a tese de que ele seria o assassino do músico. Assim, revela-se a crescente participação de Frank no cotidiano dele e de sua nova namorada, Anna (Tuva Novotny), tornando-se cozinheiro, assistente e parceiro no consumo de drogas. Uma experiência que leva o homem um tanto rude e provinciano a conhecer um mundo que o atrai profundamente – mas a que ele não consegue pertencer, alimentando uma frustração que, afinal, teria se tornado incontrolável. Talvez nunca se vá provar o que realmente aconteceu. Mas, em benefício do filme, tudo faz bastante sentido.

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