Vencedor de dois Ursos de Prata no Festival de Berlim, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Atriz, Uma Mulher Contra Hitler acumulou um currículo invejável. Sucesso da 29ª Mostra BR de Cinema (2005) e candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (2006), o filme registrou uma enorme aceitação do público nos países em que foi exibido.
Há duas razões que explicam esse sucesso. A primeira, e a mais clara, é o fato de se basear em uma história verídica, com personagens considerados mártires da paz em plena 2ª Guerra Mundial. A segunda é a qualidade da produção, que apesar de revisitar os fantasmas alemães, mostra-se vigorosa e honesta.
A história conta os últimos dias da vida de Sophie Scholl, uma jovem universitária militante, que começa a distribuir panfletos de seu grupo Rosa Branca, exigindo o cessar-fogo nazista. Ela é presa junto ao seu irmão e amigo na empreitada e, como é de se imaginar, passa a sofrer uma extenuante rotina de interrogatórios, cujo fim é um sumário julgamento. Tudo é baseado em documentos reais da época.
Enfim, trata-se de uma lição de história alemã e o reconhecimento do filme é, em parte, um reconhecimento da resistência alemã contra o regime nacional-socialista. Outra ponta do êxito é a excelente performance da atriz Julia Jentsch (que pode ser vista como a loirinha rebelde de Os Educadores) e a competência do diretor Marc Rothemund, que dá à produção um caráter quase documental.
Nesse contexto, os prêmios são mais do que merecidos.
