Ford é Jack Stanfield, um especialista em programas de segurança para computadores que trabalha num grande banco norte-americano. Pai eficiente e marido devotado, ele é daqueles que reclamam de ter que ir fazer uma média com um executivo inglês depois do expediente. Porém, esse britânico, Bill Cox (Paul Bettany) se revela um sofisticado ladrão que, com a ajuda de sua gangue, invade a casa de Jack e seqüestra sua mulher (Virginia Madsen) e os dois filhos pequenos.
Numa daquelas desculpas que só os filmes de Hollywood sabem fabricar, Cox quer que a quantia de 100 milhões de dólares seja transferida de diversas contas do banco onde Jack trabalha para a sua própria. E, claro, ele é a única pessoa capaz de quebrar seu próprio esquema de segurança e roubar a grana para o ladrão.
Se o roteiro do estreante Joe Forte não traz absolutamente nada de novo ou mesmo instigante, ele não precisava também tornar-se cada vez mais constrangedor até chegar a seu ato final, no qual pessoas de bom gosto e fãs de Ford devem fechar os olhos para não ficarem constrangidos.
A grande sacada dos filmes de suspense é que eles podem romper os laços com o cinema realista, com o drama, forçando situações e resoluções implausíveis no mundo real. Ainda assim, é preciso o mínimo de discernimento para não parecer que o filme esteja rindo da cara de seu público. Em Firewall não é apenas a segurança que está em risco, mas também a inteligência da platéia.
O diretor inglês Richard Loncraine ligou o piloto automático e dirigiu com competência até onde pode. Ford usa a sua meia expressão facial e precisa desesperadamente fazer um filme bom e/ou que dê lucro. Virginia Madsen não lembra nem a sombra daquilo que ela fez tão bem em Sideways e lhe valeu uma indicação ao Oscar. Seria um daqueles casos de maldição pós-Oscar (à la Halle Berry e Gwyneth Paltrow) mas sem Oscar? Já Bettany parece estar em outro filme. Ele se diverte, só ele, e ninguém mais.
