04/06/2026
Comédia

Os Meus, Os Seus, Os Nossos

Um guarda-costeiro viúvo reencontra uma antiga namorada, que também está viúva. Eles se apaixonam e decidem se casar. Mas para viverem juntos terão de lidar com a filharada. Ele tem 8 crianças; ela, 10. Os filhos dele são ultradisciplinados. Já os dela, um bando de bagunceiros.

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Basear o humor de um filme exclusivamente no carisma de 18 crianças é uma tarefa tão arriscada quanto cuidar delas sozinho. Esse é o maior erro de Os Seus, os Meus e os Nossos, que sem qualquer pudor legitima a mesmice das comédias familiares tão caras aos canais a cabo.

Não se trata de esgotar o gênero, que se reinventa com o passar dos anos por meio das transformações comportamentais (em que crianças de 11 anos pensando em sexo é apenas um exemplo). Mas sim de deixar a originalidade de lado, ao apostar em fórmulas repetitivas e ocas, onde a previsibilidade alcança os diálogos. Uma espécie de recorte e cola de produções do mesmo tema.

Os erros, freqüentes na produção, começam na própria concepção dos personagens. Caricaturais ao extremo, distanciam o espectador da trama, empobrecida ainda mais pelo frouxo desempenho do elenco. A responsabilidade é, certamente, dos roteiristas Ron Burch e David Kidd, que além de copiarem errado, não conseguiram adaptar a história levada pela primeira vez ao cinema em 1968. Isto é, trata-se de uma irresponsável refilmagem.

Os Seus, os Meus e os Nossos conta a história do casal Frank Beardsley e Helen North. Ex-namorados de colégio, eles se reencontram, ambos viúvos, mais de 20 anos depois e, ao perceberem que a paixão não acabou, decidem se casar. O problema é a explosiva união das duas famílias: Frank é pai de oito filhos disciplinados a leis militares; já a família North é composta por 10 crianças e adolescentes criados com liberdade de pensamento e ação.

O filme, portanto, gira em torno das brigas sem fim entre essa criançada pré-adolescente e o blá blá blá interminável dos pais para ensinar-lhes valores – freqüentemente em choque, já que ele é almirante da marinha e ela um neo-hippie. Os filhos, tanto quanto os espectadores, não suportam a situação e se unem num plano para separar os pais.

No fim, não deixa de ser embaraçoso para Dennis Quaid e Rene Russo participarem desta produção sem brilho ou conteúdo. Mesmo as crianças parecem escolhidas a esmo em algum programa de auditório do Disney Channel e não têm qualquer obrigação além de gritar na tela. Assim, a mensagem final mais realista para esta produção é, muito provavelmente, planejamento familiar. E para os mais jovens, use camisinha.

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