Com roteiro baseado na peça homônima de Rogério Falabella, Depois Daquele Baile é um filme sobre as possibilidades da vida na idade madura. Dóris (Irene) é uma bela viúva que oferece serviços de pensão a moradores de seu bairro. Alegre e boa cozinheira, atrai vários clientes para jantar em sua casa. Entre os fregueses, estão Freitas (Duarte) e Otávio (Caruso), dois amigos que vivem brigando e implicando um com o outro mas, apesar disso, no fundo se dão bem.
Porém, a maior disputa entre a dupla será pelo coração de Dóris, que muitas vezes se mostra disposta a encontrar um novo amor. Freitas e Otávio são totalmente opostos. O primeiro é um ex-exilado que trabalha como protético e vive da nostalgia; já o amigo é um professor aposentado, que tenta ser escritor, e pensa apenas em viver o presente.
Forma-se o triângulo amoroso. Dóris parece flertar com os dois e, ao mesmo, tempo prezar sua independência. Freitas dá um mês para Otávio conquistar o coração da viúva, caso contrário, o escritor aspirante diz que vai conseguir fisgá-la.
O roteiro, escrito pela jornalista Susana Schild, também desenvolve alguns aspectos da vida desses personagens – principalmente de Freitas, que tem uma relação problemática com o filho, com quem não fala há anos. Mas muita coisa fica apenas no ar, não dando a devida profundidade aos personagens.
Há também alguns coadjuvantes que tentam trazer mais nuances às possibilidades amorosas do filme. Como é o caso da sobrinha de Dóris, Bete (a comediante Ingrid Guimarães, aqui muito séria), que não está contente com a vida que leva, e o misterioso ex-seminarista Cosme (Chico Pelúcio), que sempre janta na casa da viúva.
O que há de melhor no filme certamente é o elenco. Irene e Duarte têm uma química incontestável, como se tem visto na novela Belíssima. Já Caruso é irrepreensível num registro dramático, no qual nunca utiliza sua notória veia cômica.
Depois Daquele Baile é um filme leve e, na maior parte do tempo, divertido. O problema é o roteiro nunca se aprofundar nas situações propostas. O triângulo amoroso central poderia ser mais bem delineado. A grande sorte de Bomtempo é ter um trio de atores no melhor de sua forma; o grande problema é eles não terem muito o que fazer, sem uma boa história para contar.
