Para cada um dos filmes o diretor, que protagoniza Em Fuga, escolheu um gênero diferente. O segundo é uma comédia romântica, enquanto o terceiro é um melodrama. É interessante ver os personagens deslocados de seu habitat nos outros filmes, fazendo uma pequena participação – deixando de ser protagonista. É como se cada um fosse o personagem principal apenas de sua vida.
Dos três filmes, Em Fuga é o mais bem realizado, e aquele que se encerra melhor em si mesmo, pouco precisando do complemento dos outros dois filmes. Ainda assim, visto sozinho há algumas pontas soltas que só começam a fazer sentido quando complementadas por Um Casal Admirável e Acordo Quebrado. Os três se passam na cidade alpina de Grenoble, e o fato de localizar a narrativa longe de grandes centros urbanos, como Paris, corrobora na justificativa dos personagens se esbarrarem tanto uns nos outros.
Bruno le Roux (Belvaux) é um militante de esquerda que escapou da prisão e retorna à cidade e pretende reassumir o seu trabalho. Porém, quando reencontra os seus amigos fica desapontado ao perceber que a chama da revolução que eles pregavam anda mais amena, praticamente inexistente.
Ele busca uma ex-companheira de militância (Catherine Frot) mas descobre que ela abriu mão da política para levar uma vida burguesa ao lado do marido e filhos. Bruno passa a viver na clandestinidade e se aproxima da problemática Agnès (Dominique Blac), que enfrenta o vício da morfina e é casada com um policial. A relação deste casal é o tema do último filme da trilogia.
Com Em Fuga Belvaux explora a vida de um terrorista com armas contemporâneas, e ideologia presa ao passado. De certa forma se misturam personagem e criador. O diretor, muitas vezes, tem um amor pelo cinema típico de gerações anteriores à dele, e usa uma forma tipicamente contemporânea (histórias lidando com o possibilidades, como em Pulp Fiction, Corra, Lola, Corra) para retratar vidas cruzadas, resultando nesse tríptico.
