25/08/2026
Drama

Três Enterros

Depois do assassinato de seu amigo mexicano Melquíades Estrada, o cowboy Pete Perkins (Tommy Lee Jones) fará de tudo para enterrar o corpo do rapaz no pequeno vilarejo no México, onde ele deixou mulher e filhos. Ele obriga a acompanhá-lo nessa jornada um policial que acredita ser o responsável pela morte do amigo.

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O drama-western Três Enterros, que marca a estréia do ator Tommy Lee Jones na direção, é um filme sobre fronteiras: as reais e as imaginárias. A história se passa no oeste dos Estados Unidos, uma região cara para o cinema, que andou sendo vista por um novo prisma no premiado O Segredo de Brokeback Mountain. Aqui, porém, a representação do local segue as diretrizes clássicas, falando de amizade e lealdade entre homens.

O roteiro (premiado em Cannes) de Guillermo Arriaga (21 Gramas) explora o fato de que as fronteiras na vida são muito menos delimitadas do que pensamos. Assim, o estado do Texas e o México são muito parecidos, praticamente o mesmo lugar. Da mesma forma como a linha que separa os ricos dos pobres, os homens das mulheres, os vivos dos mortos. O fato de estar morto não impede que Melquíades Estrada (Julio Cedillo) faça uma viagem do Texas até seu vilarejo mexicano, onde sonhava ser enterrado. Aí entra mais um elemento fundamental que conclui a história do longa: a fronteira entre o sonho e o real é inexistente, basta querer.

Jones (que foi premiado em Cannes por esse trabalho) é Pete Perkins, um lobo solitário que perde seu grande amigo Melquíades Estrada, sem saber como. Mesmo com o descaso da polícia local, ele acaba descobrindo que o mexicano foi morto pelo guarda Mike Norton (Barry Pepper), que guarda a fronteira e espanca os imigrantes que tentam cruzá-la. No entanto, Melquíades já foi enterrado numa vala comum, sem qualquer identificação, não permitindo que o texano cumpra a sua promessa de enterrar o corpo do amigo no México, próximo à mulher e aos filhos.

Pete obriga Mike a ajudá-lo a roubar o corpo e embarcam numa jornada homérica, a cavalo, rumo ao vilarejo no México. Porém, ele vê nessa jornada a chance de vingar a morte de seu amigo e dar uma lição no policial. Assim, o personagem de Pepper acaba sofrendo diversos abusos ao longo da viagem.

O roteiro de Arriaga segue a mesma estrutura fragmentada de seus outros trabalhos, com Amores Brutos, na qual passado e presente se confundem (novamente, a ausência de fronteiras). Além disso, segue em paralelo a história de Mike e sua jovem mulher Lou Ann (January Jones, filha do diretor), que são forçados a mudar de cidade, enquanto ela busca novos interesses em sua vida, mas nunca os encontra. Assim, o roteirista encontra mais paralelos entre seus personagens, e, muitas vezes, transforma o filme numa história sobre a humanização de Mike.

O ritmo e a geografia lembram os livros do norte-americano Cormac McCarthy (cuja obra prima Todos os Belos Cavalos rendeu a tenebrosa adaptação para o cinema Espírito Selvagem, de 2000). A história move-se numa velocidade própria convidando o espectador a entrar nesse mundo rústico, onde homens e mulheres buscam uma forma de mostrarem quem realmente são. Jones se mostra um diretor sério e seguro. Não se intimida em colocar lado a lado o plano pessoal (a história de Pete e Melquíades) e o plano global (o drama de mexicanos que tentam entrar nos EUA ilegalmente) mostrando que tudo é uma questão de atravessar algumas fronteiras.

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