No entanto, quando se trata de direção, a história muda completamente. Com escolhas erradas, seu único real sucesso foi Aracnofobia (1990), descambando para uma série de produções intoleráveis, como Vivos (1993) e Congo (95). Agora apresenta Resgate Abaixo de Zero, com os mesmos erros de seus filmes predecessores, principalmente quando se fala em condução do elenco.
Este trabalho se baseia em um dramático episódio supostamente real ocorrido na Antártida. Um grupo de pesquisadores se vê obrigado a abandonar os cães de trenós (Huskies Siberianos e Alaskan Malamutes) no rigoroso inverno polar, amarrados, sem abrigo e sem alimento. Assim, o filme conta duas histórias: o que possivelmente ocorreu com os tais cães e as tentativas desesperadas de seu treinador (Paul Walker) para resgatá-los.
O problema aqui é simples. Embora os cachorros sejam quase hipnóticos em suas aventuras na neve, o elenco humano vai mal. Críticos de cinema dados a deboche chegaram a dizer que Paul Walker não pode ser considerado um mau ator, pois pensar isso implica em acreditar que ele está tentando atuar. Mas a culpa não é do rapaz. O roteiro irregular e a frouxa mão de Marshall fazem o filme perder o pique e deixar toda a sua emoção por conta dos cachorros.
Nesse sentido, a produção tem um outro problema. Como não se trata de uma historinha típica da Disney, apresentando cães travessos e humanizados, não é muito aconselhável para crianças mais jovens. Afinal, é um olhar mais ou menos realista sobre o que aconteceu na época, e, mesmo para cães, parece um tanto traumatizante passar quase seis meses procurando seus donos.
