04/06/2026
Documentário

O Dia Em Que o Brasil Esteve Aqui

Em 18 de agosto de 2004, a seleção brasileira foi jogar no Haiti. O documentário acompanha o cotidiano do país que, apesar de sua miséria, é apaixonado pelo futebol brasileiro, e pára para receber a seleção.

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A pouco mais de um mês do início da Copa do Mundo, as ruas do Brasil começam a ficar verde e amarelas, o que não é nada surpreendente. Porém, é uma surpresa pensar que um outro povo vibra tanto quanto o brasileiro com o futebol de Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho e seus colegas. O documentário “O Dia em que o Brasil Esteve Aqui” mostra que os haitianos são fanáticos por futebol – ao menos, o brasileiro.

No dia 18 de agosto de 2004, aconteceu na capital do Haiti, Porto Príncipe, um jogo de futebol entre a seleção daquele país e o time brasileiro. A disputa foi chamada de “Jogo da Paz”, parando o país completamente para receber o time verde-e-amarelo. Os dias que cercaram a partida se tornaram um evento de dimensões históricas naquele que é um dos países mais miseráveis do mundo.

Dirigido por Caíto Ortiz (diretor do documentário Motoboys – Vida Louca) e João Dornelas, e filmado em câmeras digitais (o que muitas vezes não ajuda na definição da imagem), O Dia em que o Brasil Esteve Aqui acompanha os preparativos e a ansiedade de toda uma nação que se prepara para receber a seleção brasileira. Os ingressos eram controlados. Cada pessoa podia comprar apenas um, que dava acesso ao estádio Sylvio Cator, com capacidade para 13 mil espectadores. “Queiram ou não queiram, vamos ver o Ronaldo”, grita uma multidão na porta das bilheterias.

Enquanto acompanha as horas que antecedem a chegada da delegação brasileira, o filme vai compondo um retrato da situação crítica pela qual passa o Haiti, contando com depoimento de moradores, sociólogos e jornalistas de lá, além de soldados brasileiros que já estavam no local, enviados pela ONU.

Como diz o jornalista esportivo Patrice Dumont no filme, ‘o futebol tem poder de aprisionar. Tudo que é brasileiro é fascinante”. Ele não parece estar sozinho. A multidão que cobre as ruas da cidade praticamente impede que a delegação brasileira se mova.

Essa fascinação tem uma explicação, segundo o historiador Gerrard Pierre Charles, um dos principais intelectuais do país, que foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, e morreu pouco depois do término das filmagens, em setembro de 2004. “O Haiti se identifica muito com o Brasil. E o futebol brasileiro é a projeção do sucesso”, avalia.

O saldo final é positivo para os dois lados – embora o Brasil tenha ganhado de goleada. O time e o povo haitiano sentem o que eles chamam a alegria de receber o time brasileiro em seu país. O Brasil, sua seleção e o presidente Lula (presente no evento) sentem que agradaram a ONU, o que teoricamente deixaria o país mais próximo de participar do Conselho de Segurança da organização.

Após a partida, os haitianos voltam ao seu cotidiano de miséria quase sobre-humana, situação na qual pouco podem interferir os militares brasileiros lotados naquele país. Os jogadores voltam para os seus times e o presidente, para o Brasil, mas sem ter a certeza de que, como já disseram Caetano Veloso e Gilberto Gil, ‘o Haiti não é aqui’.

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