Outro momento real-patético: um cara super famoso participa de um programa de TV apresentado por uma afro-americana. A platéia vai ao delírio quando o bonitão entra no palco. Mas ele está lá para declarar o seu amor por uma jovem, que conheceu a pouco. Não basta dizer que a ama. Ele tem que pular no sofá, dar cambalhotas, gritar, rir – enfim, expressar o seu amor com toda a energia. A cena é ridícula. Mais patética ainda quando se pensa que isso aconteceu na vida real, há cerca de um ano, quando Tom Cruise foi ao programa de Oprah Winfrey para dizer que estava apaixonado por Katie Holmes.
O quarto filme da série Todo Mundo em Pânico segue a mesma fórmula dos três primeiros, fazendo paródias de filmes sérios, alguns bons (Menina de Ouro, A Vila) e outros nem tanto (Guerra dos Mundos, Jogos Mortais). A principal fonte aqui é a ficção científica de Spielberg, que, por natureza, tinha momentos (involuntariamente) risíveis, e aqui o ridículo é elevado exponencialmente.
Tom Ryan (Craig Bierko) é um pai divorciado que tenta recuperar o amor do filho adolescente e da filha pequena. Porém, a Terra é invadida por alienígenas. A veterana da série Cindy Campebell (Anna Faris) também está de volta. Ela agora trabalha como enfermeira para uma empresa japonesa. Seu novo emprego é cuidar de uma idosa debilitada, vizinha de Tom.
As tramas de Guerra dos Mundos e do terror O Grito se cruzam, descruzam e adquirem elementos de outros filmes, como O Segredo de Brokeback Mountain. Embora em algumas situações o riso seja fácil, a série Todo Mundo em Pânico continua primando por baixo teor cerebral, piadas envolvendo gazes e momentos que beiram o pastelão. Achar graça ou não nesse filme depende da bagagem de quem o vê. Para aqueles que desconhecem os longas parodiados, Todo Mundo em Pânico 4 pode ser mais indecifrável do que O Ano Passado em Mariembad.
