Como uma centena de filmes já fez – e alguns bem melhores –, o longa mostra a ascensão e queda de um pequeno traficante inglês, com o diferencial de ser nos anos 80. Como o diretor e roteirista Nick Love quer deixar isso bem evidente, ele enfatiza a trilha sonora, o figurino, os penteados e o consumismo típicos da década de Margareth Tatcher.
Para criticar a ascensão dessa sociedade baseada nos bens de consumo em massa, Love coloca como herói de seu filme um jovem que vai perdendo sua alma quanto mais alto sobe na cadeia alimentar dos traficantes europeus. Frankie Frankie (Danny Dyer) é um rapaz pobre que se dá bem com as pessoas certas – todas ligadas ao tráfico, diga-se.
A maior parte da ação é situada num lugar conhecido como Costa del Crime, na Espanha, um paraíso para gângsters ingleses, porque na época os dois países não tinham nenhum acordo de extradição. Como Frankie diz logo no início do filme: ‘é melhor ser alguém por um dia, do que ninguém a vida toda’. Quantos filmes já usaram esse mote? Centenas. E alguns bem melhor do que The Business.
Love gostaria que seu filme estivesse para a indústria do narcotráfico dos anos 80 o mesmo que Boogie Nights estava para a indústria pornô dos 70. Mas ele não é Paul Thomas Anderson e faz um filme genérico, que não tem diferencial algum. O diretor ainda tenta, mas nunca realiza, algo que alce o vôo pretendido. A certa altura, Frankie diz que a ascensão é colorida, cheia de música, mas a queda é silenciosa. O filme tenta ser assim, enchendo de música sua primeira parte. Mas isso é muito pouco para ficar gravado na mente da platéia e elevar a condição de algum diretor. Já o trocadilho do subtítulo brasileiro tem mais sagacidade do que o filme todo.
