Pode-se sentir que ele se diverte imensamente no papel de Léo, um velho pai de 70 anos, viúvo, cuja única alegria na vida são seus três filhos: David (Charles Beringer), Max (Bruno Putzulu) e Simon (Pascal Elbe). O problema é que neste momento ele nem mesmo consegue reunir-se com os três ao mesmo tempo, já que os dois mais velhos não se falam.
Quando falha sua última tentativa de reuni-los à mesma mesa, no seu aniversário, Léo resolve radicalizar. Finge estar seriamente doente, precisando de uma operação de alto risco. E faz um pedido aos três: antes da “internação”, quer viajar com eles para o Canadá. Cheia de obstáculos, a empreitada finalmente dá certo. E as estradas do Canadá se revelam, afinal, o cenário ideal de grandes aventuras para quatro homens bem diferentes.
O roteiro, do diretor Boujenah e do ator Pascal Elbe (que foi indicado ao prêmio César como ator revelação), dá conta de delinear devidamente essas diferenças de personalidade, que são apetitosas para que o quarteto de atores competentes se delicie. Assim, David é o irmão mais velho que assumiu o negócio da família, ficou rico e estressado. Nem mesmo seu casamento ele conseguiu manter de pé e ainda brigou feio com o irmão que trabalhava com ele, Max. Max, por sua vez, é um clássico filho do meio, espremido entre o irmão mais velho dominador e o caçula atrapalhado – e Simon é um exemplar perfeito desse espécime. Faz tudo errado, fala fora de hora, o que dá oportunidade a que o pai e os dois irmãos vivam pegando no pé dele.
Noiret é delicioso, como sempre, no papel deste pai trapaceiro por amor. Não há como não torcer por ele. Só se fica pensando como alguém tão simpático teve filhos tão complicados. Em alguma coisa, ele deve ter errado na educação deles. Como erra um pouco o diretor de primeira viagem em não acreditar mais no que esta história poderia render. Se ele tivesse feito isso, com certeza se poderia chegar a um grande filme. O resultado ficou divertido, apenas isso.
