15/06/2026
Drama

O Samurai do Entardecer

No Japão do século XIX, o samurai Seibei Iguchi fica viúvo. Deve agora criar suas duas filhas pequenas e ainda cuidar de sua mãe, que está esclerosada. Surge em sua vida uma amiga de infância, Tomoe, que acaba de divorciar-se. Mas ele será chamado a uma luta mortal para defender a casa de seu senhor.

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Quando uma de suas filhas lhe pergunta qual é a utilidade do estudo, o samurai Seibei Iguchi (Hiroyuki Sanada) reflete um pouco e responde: “Para aprender a pensar. Quem tem o poder de pensar, irá sempre sobreviver”. E é só o primeiro pequeno segredo deste filme que seja um samurai a emitir este tipo de sabedoria, um tanto inesperada num profissional versado na destreza com a espada. E que ninguém se iluda com esta fala macia, com este olhar levemente abatido e este quimono um tanto desmazelado. Seibei Iguchi é um bravo.

Que o filme do veterano Yoji Yamada eleja mostrá-lo pelo olhar carinhoso de uma de suas filhas é a opção que decide o tom intimista deste melodrama - que só tem eventualmente maculada sua limpidez de regato por uma trilha sonora um pouco abusivamente sentimental. Exceto por esse detalhe, a história flana leve e enxuta como as flores de um pessegueiro. Samurai do século XIX, por força da necessidade econômica, Iguchi é um camponês irredutível na alma. Viúvo, ele não pensa em se casar. Mais do que tudo, ele ama ver suas filhas crescerem, como as plantinhas de seu quintal.

Só a aparição da delicada senhorita Tomoe (Riye Miyazawa) abala estes planos, até então sólidos como a têmpera da espada de Iguchi. Irmã de um de seus melhores amigos, Tomoe acaba de divorciar-se de um samurai violento, que não tardará a envolver Iguchi num duelo, que serve para demonstrar que sua perícia como lutador iguala em tudo a sua serenidade.

O conceito de honra e a recusa de glórias mundanas traça o perfil deste herói profundamente ético, o que torna irresistível torcer por ele quando é chamado para defender a casa de seu senhor numa outra luta, esta contra o maior e mais temível samurai de seu tempo. O paralelismo deste combate mortal e da pendência amorosa com Tomoe são mantidos com régua e compasso por Yamada, um diretor veterano e muito ativo no Japão, que não costuma ser colocado no pedestal dos maiores cineastas desse país. Em geral, ele não é mesmo tão esteta quanto Akira Kurosawa ou Shohei Imamura, mas é um cineasta que não merece este pouco caso. Poucos cineastas, como ele, sabem tão bem encontrar imagens eloqüentes para contar suas histórias com tal força e economia narrativa - uma receita que só é simples na aparência. Esta pequena jóia de sua cinematografia é prova evidente de seu grande talento. O Samurai do Entardecer concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2004.

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