Na escola, que fica a vários quilômetros de sua aldeia, e é alcançada de ônibus, Ali descobre muito mais do que notas musicais. Há o mundo da arte, por certo, mas também o mundo das meninas, que ali estão, em aulas separadas, para aprenderem a tocar outros instrumentos. Como o tambor daf, usado pela bela Azar (Golshifteh Farahani), que logo se torna a musa de Ali.
Em que pese a maneira bem esquemática como o roteiro constrói o conflito pai-filho, há habilidade na maneira como visita a tradição musical do Irã, nem tão conhecida no Ocidente. Um tema, aliás, que ganha tom de denúncia com a informação, fornecida pelo material de imprensa, em que o diretor Haghigat relembra que os fundamentalistas islâmicos, após a sua revolução, em 1979, saquearam arquivos musicais para queimá-los. Delicadamente, o filme torna-se, assim, um libelo pela liberdade individual e de expressão, embora perca na comparação com o trabalho de cineastas iranianos mais sofisticados, como Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi.
O diretor Mamad Haghighat, aliás, é um exímio pesquisador do cinema de seu país. Nascido em 1951, ele organiza anualmente um festival de cinema iraniano em Paris, onde mora desde 1977 e estudou Cinema. Além disso, é crítico da revista iraniana Film e programa a sala Quartier Latin, na capital francesa. É autor do livro Histoire du Cinéma Iranien, um amplo guia publicado pelo Centro Georges Pompidou de Paris, em 1999.
