Dirigido pelo celebrado diretor e roteirista japonês Yoichi Sai, o filme condensa em mais de duas horas de projeção incansáveis cenas de violência doméstica (sem poupar crianças ou idosos), trabalho escravo e exclusão social. Esses fatores, para um filme sem muitas virtudes cinematográficas, (ele é apenas bem produzido) tornam tudo muito desagradável.
Apesar do começo um tanto confuso e sem muitas explicações, Consumido pelo Ódio conta a história do imigrante coreano Jyombion Kim, que vai a Osaka, Japão, em busca de fortuna. Não se sabe ao certo se o personagem já era tão destrutivo ou ambicioso como se revela no desenrolar da trama, o que se vê apenas é: estupro, socos e pontapés em todos aqueles que cercam a figura.
Nas décadas que se seguem, Jyombion Kim consegue acumular sua pequena fortuna às custas de agiotagem e exploração de seus empregados. Enquanto isso, sua família apanha por qualquer motivo, seja ele real ou não.
De fato, o filme é intragável e ainda peca em uma série de fatores. Ele é demorado demais, usa como narrador um personagem sem carisma ou importância para a trama e ainda não trabalha bem – ou não quer trabalhar – com a questão xenófoba dos japoneses em relação aos coreanos (principalmente na década de 30, com os conflitos entre os dois países).
O que garante o filme é, seguramente, a participação de Kitano como protagonista, que encarna de forma impressionante o execrável Jyombion Kim. Pode-se falar que o filme dialoga com a condição da mulher em sociedades patriarcais como a coreana ou chinesa. Mas não é preciso ver mais de duas horas de horror para discutir o tema.
