O documentário segue jovens de três escolas, algumas das regiões mais pobres da cidade, cujos alunos são, em sua maioria, filhos de imigrantes. O longa tem um certo charme até a metade. Porém, o que a diretora retrata diz mais sobre a sociedade norte-americana em si do que sobre a dança de salão e a vida dessas crianças. A cineasta tem um argumento interessante: alunos que vão bem nas aulas de dança acabam indo bem nas outras matérias curriculares.
Agrelo apresenta as crianças sem muita preocupação em criar vínculos com o público. O interesse da documentarista é mostrar como a dança entra na vida dos pequenos, transformando-a. Fala-se muito da importância que essa forma de expressão trouxe para eles, como isso os ajudou a se inserir na sociedade. Mas mostra-se muito pouco disso tudo. As entrevistas são interessantes, porém, muito superficiais para se poder avaliar a verdadeira extensão da importância dessa nova atividade. Os números de dança empolgam e é bom ver o quanto as crianças se esforçaram para chegar até lá – mas seria mais interessante ainda saber quais lições eles estão levando para fora da sala de aula.
Boa parte de Vamos Todos Dançar concentra-se na preparação para a competição anual, que reúne escolas de toda a cidade, e no campeonato em si. Isso acaba diluindo o interesse do filme, que se torna burocrático. Mais vale o que o documentário deixa, involuntariamente, em suas entrelinhas. O meio influencia o indivíduo e mesmo quem não nasceu nos Estados Unidos ou de pai norte-americano acaba sendo contaminado pela máxima da sociedade local, que valoriza a competição, glorifica seus vencedores e ignora os perdedores. Vemos que norte-americanos sãos pessoas ultracompetitivas e capazes de transformar arte em campeonato. Isso já não é nenhuma novidade, basta ver a ‘cerimônia mais importante do cinema’, que nada mais é do que uma corrida de cavalos em que os competidores são filmes.
