26/07/2026
Documentário

Vamos Todos Dançar

Documentário que acompanha um período do ano letivo em três escolas públicas de Nova York, onde foi introduzido um programa de aulas de dança de salão. O filme mostra a preparação dos jovens para uma competição que envolverá dançarinos de toda a cidade, e também o campeonato em si, quando colocam em prática aquilo que aprenderam.

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A dança de salão está se tornando uma espécie de febre moderna. Desde filmes protagonizados por Antonio Banderas (Vem Dançar), ou Jennifer Lopez (Dança Comigo?) até uma espécie de reality show, em que famosos tentam provar que têm pé-de-valsa. O documentário Vamos Todos Dançar?, de Marilyn Agrelo, vai no swing do momento e mostra um grupo de adolescentes e pré-adolescentes de três escolas públicas de Nova York, que incluíram em seus currículos aulas de dança.

O documentário segue jovens de três escolas, algumas das regiões mais pobres da cidade, cujos alunos são, em sua maioria, filhos de imigrantes. O longa tem um certo charme até a metade. Porém, o que a diretora retrata diz mais sobre a sociedade norte-americana em si do que sobre a dança de salão e a vida dessas crianças. A cineasta tem um argumento interessante: alunos que vão bem nas aulas de dança acabam indo bem nas outras matérias curriculares.

Agrelo apresenta as crianças sem muita preocupação em criar vínculos com o público. O interesse da documentarista é mostrar como a dança entra na vida dos pequenos, transformando-a. Fala-se muito da importância que essa forma de expressão trouxe para eles, como isso os ajudou a se inserir na sociedade. Mas mostra-se muito pouco disso tudo. As entrevistas são interessantes, porém, muito superficiais para se poder avaliar a verdadeira extensão da importância dessa nova atividade. Os números de dança empolgam e é bom ver o quanto as crianças se esforçaram para chegar até lá – mas seria mais interessante ainda saber quais lições eles estão levando para fora da sala de aula.

Boa parte de Vamos Todos Dançar concentra-se na preparação para a competição anual, que reúne escolas de toda a cidade, e no campeonato em si. Isso acaba diluindo o interesse do filme, que se torna burocrático. Mais vale o que o documentário deixa, involuntariamente, em suas entrelinhas. O meio influencia o indivíduo e mesmo quem não nasceu nos Estados Unidos ou de pai norte-americano acaba sendo contaminado pela máxima da sociedade local, que valoriza a competição, glorifica seus vencedores e ignora os perdedores. Vemos que norte-americanos sãos pessoas ultracompetitivas e capazes de transformar arte em campeonato. Isso já não é nenhuma novidade, basta ver a ‘cerimônia mais importante do cinema’, que nada mais é do que uma corrida de cavalos em que os competidores são filmes.

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