Estrelado e produzido pelo veterano Michael Douglas, Sentinela mostra depressa demais o que é: um exercício de vaidade para exibir o ator-produtor sessentão parecendo ser mais ágil e esperto do que os mais jovens e ainda por cima, dando uma de latin lover. Sim, porque o agente especial designado para guardar a vida do presidente está nada mais, nada menos, do que tendo um caso com a primeira-dama, Sarah Ballentine (Kim Basinger, num papel em que tem pouco mais a fazer do que mostrar o quanto é linda).
O diretor Clark Johnson, ex-ator e diretor de televisão em seriados como Law & Order, The Shield e West Wing, traz para o cinema todos os vícios repetidos até a enésima potência desses programas sobretudo os clichês. Assim, estão na história os rivais inconciliáveis, Pete Garrison (Douglas) e David Breckinridge (Kiefer Sutherland), outro agente que acha que Pete, seu ex-melhor amigo teve um caso com sua mulher; a assistente boazuda e espertinha Jill Marin (Eva Longoria), no caso assistente de David, e latina, o que quer dizer alguma coisa no código óbvio dos clichês; o presidente bobão e último a saber de tudo (David Rasche), o que, convenhamos, tem algo a ver com a realidade americana atual.
Embora até se fale na Al-Qaeda quando surge na história um complô para matar o presidente americano – com que motivo, ninguém sabe -, perde-se outra chance de atualizar o enredo. No desenrolar da previsível conspiração, prefere-se voltar a satanizar, mais uma vez, os velhos vilões da extinta KGB soviética. É ranço demais, ainda mais considerando a criatividade e o vigor de outros exemplares recentes do gênero suspense, caso de O Plano Perfeito, de Spike Lee, e O Assalto, de David Mamet.
