27/07/2026
Suspense Drama

Verdade Nua

Nos anos 50, Lanny Morris (Kevin Bacon) e Vince Collins (Colin Firth) formam uma dupla de atores de sucesso. Porém, quando um corpo é achado no banheiro do quarto de hotel onde estão hospedados, a parceria acaba. Vinte anos depois, uma jovem jornalista (Alison Lohman) resolve investigar o caso.

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Que as aparências enganam é praticamente uma verdade inquestionável. Em seu novo filme, Verdade Nua, o cineasta Atom Egoyan (O Doce Amanhã) brinca com essa idéia, mostrando que nem tudo é o que parece. No longa, explora-se a dicotomia entre o que se aparenta ser e aquilo que realmente se é. O roteiro é baseado num romance de Rupert Holmes (uma espécie de showman que compõe, canta, dança, atua e escreve), e, em sua essência, pode ser um thriller. Mas, como Egoyam não é um diretor que se dobra a regras, o filme tenta transitar nos mais diferentes gêneros.

A principal questão de Verdade Nua é saber o que levou à separação uma famosa dupla de atores da década de 50, que participava de programas de TV e fazia shows em cassinos e boates, à la Dean Martin e Jerry Lewis – que podem ter servido de inspiração para toda a história. Lanny Morris (Kevin Bacon) faz o tipo debochado, sedutor que não mede suas palavras. Já seu parceiro Vince Collins (Colin Firth) é o cara sério e durão, o seu oposto. Em comum, um vício desmedido por pílulas. A dupla vai bem, até o momento em que uma moça é encontrada assassinada no quarto de hotel onde estavam hospedados, o que leva ao fim da parceria, sem muitas explicações.

Vinte anos mais tarde, Karen O'Connor (Alison Lohman) é uma jovem jornalista que escreve uma biografia autorizada de Vince, ao mesmo tempo em que tenta desvendar o mistério que cerca a separação da dupla. Enquanto conduz uma série de entrevistas com seu biografado, começa a receber capítulos da autobiografia que Lanny está escrevendo.

Egoyan, que também assina o roteiro, vai aos poucos destruindo aquela imagem limpa que os dois astros têm na frente das câmaras. Longe da luz dos holofotes, a verdade é mais cruel, quando os comediantes se envolvem com drogas, bebidas e mulheres. E, para provar a sua idéia de que a imagem não vale muito e pode induzir ao erro, o diretor usa como principal elemento a fotografia de Verdade Nua, assinada por Paul Sarossy, seu parceiro de diversos filmes. As cenas que se passam nos anos 50 têm uma luz difusa, um tom etéreo, típicos da década de 70. Já o ‘tempo presente’ tem o estilo de iluminação que predominou duas décadas antes de quando está situado.

Embora o diretor e roteirista tivesse em suas mãos material para transitar entre suspense, romance, drama, comédia e tragédia, Verdade Nua nunca convence em nenhum gênero. Essa necessidade de não se ater às regras faz com que as idas e vindas soem falsas e calculadas. Os dois atores centrais são competentes, mas seus personagens parecem esquemáticos demais para terem algum parentesco com algo de humano. Já Alison é um erro de casting. Sua aparência é jovial demais para poder se acreditar nela como a jornalista ambiciosa que a personagem é – muito menos a femme fatale que às vezes deveria ser.

Usando a mesma estrutura de seu filme anterior, Ararat, Egoyan tem um resultado um pouco superior, mas longe de seus dias melhores, como em O Doce Amanhã e Exótica. Aqui, o que se vê são sinais de um cineasta e de um grande filme enterrados em meio a um roteiro confuso, que aspira ser mais do que é. A trilha sonora excessiva de Mychael Danna quer remeter a Hitchcock. Já Egoyan está preocupado demais em mostrar que as aparências enganam sem perceber que esse parece ser um grande filme de Atom Egoyan, mas não é.

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