03/07/2026
Comédia

Click

Michael Newman (Adam Sandler) trabalha muito e mal tem tempo para a família. Porém, um cientista lhe dá um controle remoto para melhorar sua vida. Assim, ele pode acelerar as partes chatas e aproveitar melhor os bons momentos. Só que o aparelho tem efeitos colaterais que ele desconhecia.

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Conversa ficcional, mas não improvável, entre dois produtores de Hollywood: “Tive uma idéia brilhante para um filme. Um cara que não tem tempo para a família consegue um controle remoto para controlar sua vida e pode pular as partes chatas, além de aproveitar as boas. Assim, ele tem o controle de tudo, como se fosse um DVD”. “Puxa, que idéia bacana. E o que a gente faz com os outro noventa minutos de filme?”. “Bem...”. Bem, até há o que se fazer no restante do filme, mas no caso de Click, que parte da mesma premissa, os roteiristas Steve Koren e Mark O'Keefe (os mesmos de O Todo Poderoso) não fizeram nada – ou melhor, tentaram misturar comédia escatológica e melodrama, com resultados desastrosos.

O problema aqui nem é Adam Sandler que, pela enésima vez, faz o mesmo personagem. Ele já provou que pode funcionar, encontrando o material e o diretor certos – basta ver Embriagado de Amor ou Espanglês. Mas em Click o que se tem é um roteiro ruim e um diretor sem talento, com disposição só para repetir as mesmas piadas porque, na opinião dele, aparentemente são engraçadas. Existe algo de engraçado em ver Sandler soltar gases na cara de seu chefe que está com a imagem congelada? Para o diretor Frank Coraci (Volta ao Mundo em 80 Dias, O Rei da Água), isso é hilário.

A definição de comédia, no dicionário dele, também inclui metade do filme banhada em lágrimas, que exaltam os sempre surrados valores familiares. Nas mãos de um roteirista com mais talento, como Charlie Kaufmann (Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças), poderia resultar em um tremendo filme. Afinal, há potencial para uma infinidade de situações, questionamentos, brincadeiras. Mas aqui se faz a opção pelo óbvio e lacrimoso, quando Click deixa de lado a escatologia, para acompanhar o personagem em sua terceira idade. Quem precisa de um Adam Sandler idoso?

Na maioria de seus filmes, Sandler tem revisitado Frank Capra (tanto que fez um remake de O Galante Mr. Deeds, chamado de A Herança de Mr. Deeds), principalmente a idéia de um personagem ganhando uma segunda chance para reparar seus erros. Mas Coraci não é Capra e aqui a idéia da redenção é boba, sem sentido, pois o personagem nunca desperta a menor simpatia ou o desejo de vê-lo melhorar, se arrepender dos erros.

Contando com coadjuvantes de luxo, como Kate Beckinsale e Christopher Walken, Click tem personagens mal resolvidos, cujo desenvolvimento deve ter ficado no chão da sala de edição. Basta ver a inexplicável transformação da secretária de Sandler. Para um filme que tenta tanto se levar e ser levado a sério, este vai do medíocre ao completamente dispensável em menos de um clique.

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