03/07/2026
Drama

O Arco

Há dez anos, um velho barqueiro cuida de uma menina. Ela vive com ele num barco e existe entre os dois um entendimento que dispensa as palavras. Ele espera o dia em que ela completará 17 anos para casar-se com ela. A visita de um jovem ao barco perturba a harmonia e muda as expectativas.

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A economia de meios é o segredo do estilo de Kim Ki-duk, diretor coreano nascido em 1960 e autor de obras-primas como Casa Vazia. Em O Arco, seu décimo-segundo filme, ele mais uma vez dispõe de poucos elementos procurando deles extrair o máximo.

Um velho (Jeon Sung-hwan) vive num barco arruinado, na única companhia de uma belíssima adolescente de 16 anos (Han Yeo-reum). Há 10 anos, ele a encontrou, criando no barco uma espécie de nicho, em que ao mesmo tempo a protege e esconde dos olhares estranhos. Os dois trocam poucas palavras. O entendimento é mútuo e pelos olhares. Confiança total.

Entre o mar e o céu, cinzas, quase não há cor. É diferente dentro do armário que o velho mantém zelosamente trancado dentro de seu quarto. Ali dentro está o colorido enxoval que ele guarda para a mocinha, que desposará quando completar 17 anos.

O plano perfeito é sistematicamente ameaçado pelas visitas de homens que pagam para vir pescar no barco do velho – e não têm como ignorar a presença luminosa da garota, que tentam seduzir. Para afugentá-los, o velho conta com a precisão de seu arco, capaz de disparar setas certeiras nos ânimos mais fogosos. Nas horas mais calmas, esse mesmo arco é a base de uma viola, em que o velho dedilha melodias com igual perfeição.

Mas a ameaça maior está na figura de um jovem (Seo Ji-seok), cuja beleza acaba finalmente despertando o interesse da menina. A narrativa evolui, em ritmo de fábula, em torno deste triângulo dramático, que contempla as nuances essenciais do tempo de estar no mundo, entre a vida e a morte.

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