O longa tenta recuperar episódios que foram perdidos ao longo desses quase 40 anos. Para retratar a curta existência de seis meses do periódico, a documentarista e a co-roteirista Martha Alencar conduzem uma série de conversas com ex-colaboradores da publicação e personalidades, como Daniel Azulay, Sérgio Gramático, Carlos Heitor Cony, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ziraldo e Zuenir Ventura.
Para reunir novamente os profissionais que trabalharam em O Sol, Tetê organizou aquilo que ela mesma chama de ‘festa-filmagem’. Ou seja, é uma festa na qual as pessoas são entrevistadas informalmente.. Como trabalhou no jornal, a diretora é amiga de todos e isso fica claro ao longo do documentário. Mas essa intimidade com seu objeto de estudo mais atrapalha do que ajuda no desenvolvimento do filme, que acaba não sendo tão informativo quanto seria de se desejar.
Idealizado pelo jornalista Reynaldo Jardim (foto), e editado por Ana Arruda Callado, O Sol marcou uma geração da imprensa brasileira, sendo publicado numa época em que os meios de comunicação tinham pouca liberdade para se expressar, por ser o período da ditadura militar. Isso é o que mais se exalta no documentário. As matérias do periódico iam desde assuntos sociais, passando por cultura, internacional e outras editorias.
Alguns dos entrevistados apontam como histórica a edição que trazia na capa a manchete “Che pode estar vivo”. Muitos deles contam como ficaram emocionados com a morte do líder revolucionário argentino Che Guevara.
Desmentindo a hipótese de que a frase ‘o Sol nas bancas de revista/me enche de alegria e preguiça’, da canção “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso se refere à publicação, o cantor e compositor conta que criou a letra antes mesmo do jornal ser inventado. Mas isso é uma das poucas novidades que o filme traz.
O deputado Fernando Gabeira, diz, em um dado momento do filme, que ‘o Sol retratou bem a cultura da época’. Isso é possível de se concluir depois de se ver o filme, mas só porque as imagens das primeiras páginas, das matérias veiculadas no periódico dizem bem mais que o documentário todo, que tem uma montagem aleatória e confusa. O resultado, quando muito, poderá interessar um público específico, como os estudantes de jornalismo.
