A falta de dinheiro e perspectivas na sociedade argentina tem um papel importante na relação entre Hernán e Patricia (Moro Anghileri), mais conhecida como Pato. Eles se conhecem num posto de gasolina onde ela trabalha. Ele é motoboy na empresa “Buena Vida”, que emprega tipos estranhos e não vai muito bem, podendo falir a qualquer momento. A amizade se transforma em namoro quando ela se muda para a casa dele.
Dias depois, também se instalam na pequena casa o pai, a mãe e a filha de Pato, sem que o rapaz soubesse. Quando ele vê, eles ocuparam os cômodos. O casal explica que não vai ficar muito tempo. É mera desculpa. Elas acabam se acomodando de vez, sem que Hernán saiba o que fazer. A situação só tende a piorar, quando o pai monta na casa uma enorme máquina de fazer churros, sonhando em recrutar funcionários e montar uma empresa, como teve no passado. O rapaz vai ficando cada vez mais refém dessa situação. Sem conseguir expulsar a família, a relação com Pato e os outros fica cada vez mais tensa.
O diretor e co-roteirista Leonardo Di Cesare transita entre a comédia e o drama com segurança. A crise na Argentina é um fator determinante para que Buena Vida Delivery exista. Uma juventude sem perspectivas e pessoas mais maduras tentando ressuscitar o passado de glórias são as figuras centrais do longa, que ganhou diversos prêmios da Associação de Críticos de seu país, entre eles melhor primeiro filme e roteiro. Segundo a revista Première francesa, Brad Pitt comprou os direitos para fazer um remake norte-americano. A exemplo de Nove Rainhas, que virou 171, este longa tem tudo para perder sua força e impacto se removido de seu contexto sócio-econômico e cultural.
