21/07/2026
Drama Comédia

Cafuné

Marquinhos (Lúcio Andrey) conhece na praia uma garota do Leblon, Débora (Priscila Assum). Do encontro resulta uma gravidez e a mudança da moça para a casa superlotada do rapaz na favela, para desespero de sua mãe (Dilma Lóes).

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O encontro entre o asfalto e a favela acende as imaginações e acirra os ânimos do cinema nacional há muito tempo, bem antes, até, do celebrado e polemizado Cidade de Deus - que, em todo caso, renovou a roupagem desta discussão de muitas décadas sobre as crônicas desigualdades nacionais.

Cafuné, do diretor iniciante Bruno Vianna, não tem nem mesmo tanta ambição ao colocar em foco o romance entre o moço da favela carioca, Marquinhos (Lúcio Andrey), e a menina do Leblon, Débora (Priscila Assum, de Como Nascem os Anjos, este um belo exemplar desta discussão sobre diferenças sociais). Produção de baixíssimo orçamento, R$ 550.000,00, expõe a situação que se cria com o romance, do qual resulta uma gravidez e a mudança da moça para a casa superlotada da favela, para desespero de sua mãe (Dilma Lóes).

Sendo a produção modesta que nunca esconde ser, Cafuné se propõe pelo menos a fornecer um retrato em 3x4 de uma certa classe média. E nisso expõe o seu melhor e o seu pior. O melhor está em acompanhar, sem muito julgamento, o fosso que se cria entre mãe e filha, a partir de sua opção por Marquinhos, com tudo que ela tem de espontânea e irresponsável, perfeitamente lógica dentro da idade da moça.

Uma boa idéia está em mostrar que o preconceito e a intolerância têm via dupla, como se demonstra no momento em que Débora critica a mãe, separada, por ter namorados.Uma intolerância que vai transbordar em violência numa outra situação nas ruas do Rio, igualmente envolvendo classes sociais diferentes.

Um problema é que o filme é um tanto epidérmico nas questões que pretende abordar: amor, sexo, violência, vazio de horizontes e sonhos. Nenhum personagem tem projeto nenhum de vida, nenhuma vontade que vá além da semana que vem. Provavelmente é assim mesmo que muitas pessoas estejam se sentindo hoje e aliás não só no Brasil. O filme aspira a ser um instantâneo deste momento e nisso traduz sua inquietação.

Antenado na modernidade, o diretor coloca à disposição de quem queira a possibilidade de baixar o filme a partir do endereço: www.cafuneofilme.com.br . É uma versão mais curta do que nos cinemas (73 min) mas que oferece a chance de remontar o filme na versão que o internauta preferir.

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