Independente desse sentimento de solidariedade ao reino animal, Lucas – Um Intruso no Formigueiro é divertido na maior parte do tempo e repleto de um visual interessante que funciona mais com crianças, principalmente por se abster de um punhado de referências ao mundo pop, ou ao universo dos adultos.
Baseado no livro infantil de John Nickle, Lucas – Um Intruso no Formigueiro começa com as desventuras do personagem-título que apanha dos garotos maiores da rua e desconta suas frustrações num formigueiro. É visto como o destruidor pelos pequenos seres, mas irá aprender a sua lição depois de reduzido ao tamanho micro, graças a uma poção de um formiga-mago (com a voz de Cage).
Dentro do formigueiro, o garoto vai aprender sobre a vida em sociedade, cooperação e estrutura social que, muitas vezes, refletem o mundo humano, se este fosse perfeito. Quem entra em defesa do garoto é Hova (Julia), que o toma como aprendiz e irá ensinar tudo o que uma formiga precisa saber, como trabalho em equipe.
Esse discurso de papéis definidos numa sociedade chega até a remeter a uma visão socialista do mundo. Mas, como esse é um filme para crianças, é pouco provável que essa seja a idéia principal do diretor e roteirista John A. Davis (Jimmy Nêutron – O Menino Gênio) e do autor do livro que originou o filme, John Nickle. Em Lucas – Um Instruso no Formigueiro o que vale é seguir a cartilha dos filmes infantis, com uma boa lição no final, e personagens facilmente classificáveis, como o ‘engraçadinho’, a ‘destemida’, o ‘velho sábio’, e a ‘rainha bondosa’ - esta, com a cortesia da voz cristalina de Meryl Streep.
Lucas – Um Instruso no Formigueiro tem bons momentos de criatividade, como os insetos-voadores inimigos e as larvas que produzem doces deliciosos. Mas, no geral, é, no máximo, um bom passatempo para o público infantil, que pode se divertir com as descobertas e trapalhadas do garoto preso ao tamanho de uma formiga.
