Mas o otimismo vira estupefação no final das quase duas horas de exibição de Serpentes a Bordo, uma mal contada história de répteis. Isso pode ser dito pois, além de ser inverossímil – cobras ficariam completamente paralisadas com qualquer explosão –, o roteiro tenta iludir o espectador com diálogos e personagens mal pensados e completamente nulos, de um ponto de vista narrativo.
Para começar, a trama tem início no paraíso tropical do Havaí, onde Sean Jones (Nathan Phillips) é testemunha de um violento assassinato, enquanto faz um passeio de bicicleta por uma floresta. Os assassinos percebem sua presença, mas como não conseguem alcançá-lo, atacam deliberadamente seu apartamento, do qual Sean só consegue fugir ao ser resgatado pelo hábil Agente Flynn (Samuel L. Jackson).
Flyn por sua vez, informa ao rapaz que o terrível chefe do bando, o criminoso Eddie Kim (Byron Lawson) não descansará até matá-lo. “E as cobras?”, pergunta o espectador, que pagou para vê-las. Elas são o plano de Kim para matar a Sean, enquanto ele voa para Los Angeles (onde ele terá de testemunhar o crime). Matar Sean e todos os tripulantes do vôo 181, que não têm nada a ver com o assunto.
Comenta-se que Samuel L. Jackson apenas aceitou participar deste filme porque lhe pareceu hilária sua idéia. Muito provavelmente também porque Serpentes a Bordo foi pensado por seus produtores a ser transformado em um filme cult.
De qualquer forma, a produção tem características muito precisas, que poderiam colocá-la ao lado de grandes filmes trash: personagens previsíveis, diálogos risíveis, atrizes sem preparo cênico seminuas, momentos de tensão incoerentes, efeitos especiais sem qualidade e surrealista violência. O único problema de Serpentes a Bordo, no entanto, é que ele não consegue ser tão ruim a ponto de ser tornar cult. Ele é apenas decepcionante.
