O filme anterior da diretora fazia parte do Dogma – foi o quinto a ganhar o selo do movimento. Aqui, ela abandona os preceitos dogmáticos para fazer um filme no qual os personagens são o mais importante e não as contravenções técnicas. Apesar da música incessante, e intrusiva, Lone vai, na maior parte do tempo, ao centro emocional de seus personagens com honestidade.
O irmão suicida é Wilbur (Jamie Sives) que, desde a cena inicial, se mostra desgostoso com sua vida e procura formas de se matar. Nem seu irmão, Harbour (Adrian Rawlins), nem a terapia são capazes de convencê-lo a abandonar a idéia. Os dois passam a dividir a mesma casa, onde o mais velho tem uma loja de livros usados, na Escócia. São os livros, aliás, que os levam a conhecer a mãe solteira Alice (Shirley Henderson). Ela, ao lado de sua filha, se instala na vida e muda os destinos dos irmãos.
Meu Irmão Quer Se Matar vai traçando um retrato cru de três almas solitárias que encontram umas nas outras algum apoio. À medida que Wilbur vai se tornando menos melancólico e cínico e mais apegado à vida, seu irmão passa por uma profunda transformação, tendo que reavaliar a sua existência.
Seguindo a tradição do cinema inglês, Meu Irmão Quer Se Matar tem um olhar terno sobre um mundo bizarro, habitado por figuras estranhas, como os irmãos centrais e uma enfermeira cujo penteado muda a cada dia. Nesse ponto, quem sai ganhando é Shirley Henderson, que soube tirar mais proveito de seu personagem. Longe da fantasma Murta-Que-Geme que a deixou conhecida na série Harry Potter, a atriz tem uma interpretação sob medida, sem cair na caricatura, nem no exagero.
Meu Irmão Quer Se Matar, ao contrário do que o título possa indicar, não é depressivo – pelo contrário. As pessoas podem não sair sorridentes do cinema, mas certamente, encontram elementos para ver a vida e suas possibilidades com outros olhos.
