A história de Dias de Abandono apóia-se demais numa série de clichês. Desde a causa da separação (uma mulher mais nova) até a volta por cima (com um novo amor) faz o filme soar como um bom espaguete requentado e não uma receita de um molho novo. Há até algumas cenas boas e engraçadas. Mas no geral nada empolga, pois o desfecho é previsível.
Com o roteiro baseado num romance homônimo de Elena Ferrante, Dias de Abandono confia demais na narração e pouco em suas imagens. Assim, os julgamentos já vêm moldados, dando pouca chance ao público de tirar suas próprias conclusões. A trilha sonora, composta pelo também ator do filme Goran Bregovic, é incessante e cansativa.
Dias de Abandono muitas vezes parece um telefilme. Com algumas soluções bobas e pouca profundidade, o longa nunca encontra uma boa razão que justifique sua existência cinematográfica.
