03/06/2026
Drama

Cafundó

No final do século XIX, é abolida a escravatura no Brasil. João Camargo (Lázaro Ramos) é um desses ex-escravos que cai no mundo e vive de biscates. Diante de seus olhos, há todo um país em transição, em busca da modernidade. Um dia, João tem uma revelação mística que muda todo seu destino.

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O ator Paulo Betti estréia na direção cinematográfica com este drama histórico, que traz Lázaro Ramos, Leona Cavalli e Leandro Firmino da Hora (de Cidade de Deus) nos papéis centrais. Exibido em diversos festivais, o filme chegou a ser premiado em Gramado/2005 (com prêmios como melhor ator, fotografia, direção de arte).

O roteiro é assinado pelo co-diretor Clóvis Bueno e baseia-se na vida do líder religioso João de Camargo, personagem que, na virada do século XIX, atraiu centenas de fiéis e fundou uma igreja em Sorocaba, no interior de São Paulo.

Lázaro interpreta João Camargo, que de tropeiro e ex-escravo se torna uma espécie de milagreiro, atraindo pessoas em busca de ajuda e despertando a ira da Igreja Católica. Pouco após sua libertação da escravatura, o personagem vive numa sociedade em franca transformação. As mudanças políticas, sociais e culturais do final daquele século são de impacto enorme em sua vida.

O filme, porém, tenta dar maior destaque ao plano pessoal da vida de João, mostrando a sua transformação de ex-escravo a líder religioso capaz de atrair centenas de fiéis. Suas pregações e crenças são o reflexo claro do sincretismo que dá o tom à religião no Brasil, agregando elementos das raízes africanas com a cultura judaico-cristã.

O desejo de construir uma igreja nasce em João depois de um sonho, no qual teria recebido a missão de Nossa Senhora, São Benedito e um anjo. A partir daí, ele funda a Igreja da Água Vermelha, e passa a operar milagres.

Cafundó cresce em interesse a partir de sua segunda metade, quando João se transforma num curandeiro. Betti e Bueno nunca oferecem uma explicação aprofundada para a transformação do personagem. Eles se mostram mais interessados em registrar episódios da vida do religioso, e, nesse sentido, constróem bons momentos – principalmente pela interpretação magnética de Lázaro.

Ainda que seja um filme de estreantes, Cafundó tem mais virtudes do que problemas, como as excessivas cenas de manifestação de cultura popular que pouco contribuem para o andamento da história. Mas toda vez que Lázaro está em cena, é inegável que é, no mínimo, instigante.

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